Texto escrito por Kleber Tomaz, no G1.

Antonio Marcos Pimenta Neves, de 74 anos, condenado pela Justiça a 15 anos de reclusão por matar a ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide, deverá ler pelo menos três livros na prisão. Um deles é de um grande dramaturgo inglês e os outros abordam a ‘prisão’ e até o ‘suicídio’, informou o delegado Waldomiro Milanesi, da Divisão de Capturas da Polícia Civil, responsável por prendê-lo.

O jornalista está detido provisoriamente numa cela do 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, região central de São Paulo, desde a noite de terça-feira (24). A Polícia Civil deve transferi-lo para uma das unidades prisionais da secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ainda nesta tarde. Existe a possibilidade de que ele vá cumprir a pena em Tremembé, no interior do estado de SP.

Antes de ser preso pela Divisão de Capturas na noite de terça-feira (24), o jornalista pediu para levar consigo um volume das obras do dramaturgo inglês William Shakespeare, além de Vigiar e Punir – nascimento da prisão , do filósofo francês Michel Foucault, e O Deus Selvagem – um estudo do suicídio, do ensaísta britânico A.Alvarez.
Waldomiro Pompiani Milanesi, chefe da Divisão de Capturas, participou da detenção de Pimenta Neves na residência dele, na Zona Sul. Ele e sua equipe foram para a casa do jornalista na tarde de terça logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em negar o recurso da defesa dele para anular o júri que o condenou. Com isso, os ministros do STF mantiveram a condenação de 2006 determinando a prisão imediata.

“Eu e minha equipe fomos para lá assim que soubemos da decisão do STF. Mesmo escurecendo, poderíamos entrar se tivéssemos a certeza de que ele estaria lá dentro. Tivemos essa certeza quando tocamos a campainha e ele abriu a porta. Entramos e ele não ofereceu resistência. Eu então disse que ele estava preso e iria cumprir o mandado de prisão contra ele. Ele pediu apenas para pegar uma mala onde estavam mudas de roupas e três livros para ler”, disse o delegado Waldomiro Milanesi. “São livros que tratam sobre Shakeaspeare, e assuntos como prisão e suicídio”.

De acordo com o delegado da Divisão de Capturas, Pimenta Neves soube da decisão do STF e da decisão de prendê-lo novamente pela TV e internet. “Ele estava acompanhando tudo. Me disse que foi ele quem ligou para os seus advogados avisando da decisão”, disse Milanesi.

Obras na prisão

Dos três livros, dois tratam de assuntos polêmicos. Vigiar e Punir tem quatro partes intituladas “Suplício”, “Punição”, “Disciplina” e “Prisão”. A obra faz uma análise da vigilância a punição em diversas entidades da sociedade. O autor questiona, por exemplo, o aspecto social de que a prisão é uma forma justa de cumprir uma pena.

No O Deus Selvagem – um estudo do suicídio, o escritor busca justificar o ato radical de quem tira a própria vida. Ele descreve o poder de atração que a morte voluntária exerce sobre os artistas e a imaginação criadora.

A transferência de Pimenta Neves do 2º DP para qualquer unidade prisional será feita pela Divisão de Capturas. Segundo o delegado, o jornalista terá de passar por novo exame de corpo de delito feito pelo Instituto Médico Legal (IML) para seguir para a penitenciária. “Para evitar confusão na porta da delegacia, deveremos levar novamente um médico do IML para a cela onde será feito o exame”, disse Waldomiro Milanesi.

Segundo o delegado, a Divisão de Capturas já prendeu 120 pessoas em cumprimento a mandados expedidos pela Justiça.

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