Pulblicado originalmente por David Pogue no The New York Times, via IG

Pensamos que somos modernos. Achamos que estamos arrebentando com nossos tablets, smartphones com câmera de vídeo e downloads de filmes pela internet. Mas guardem estas palavras: estamos na era paleozóica dos aparelhos eletrônicos. Nossos netos vão ouvir nossas histórias sobre tecnologia, cobertura de celular irregular, limite de 24 horas para ver um filme, baterias com duração de três horas, e dar risada.

Pegue o exemplo dos e-readers, como o Kindle e seus concorrentes. “Puxa vovó. Não dava pra ler livros do Kindle no Nook? Que sistema idiota”. “Repete pra nós, não dava pra ler livros do Harry Potter em e-readers? O que quer dizer monocromático?”

Essa semana, porém, os e-readers deram um pequeno passo para sair do atraso.

Kobo e All-New-Nook

As empresas Barnes & Noble e Kobo apresentaram aparelho praticamente idênticos, claramente criados para superar o líder de mercado Kindle. Eles se chamam All-New Nook e Kobo Touch Edition (US$ 140 e US$ 130 nos Estados Unidos, respectivamente).

 

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Nook: nova versão tem bateria de fôlego
Nook: nova versão tem bateria de fôlego

 

Sim, a Barnes & Noble realmente chama o aparelho de “All-New NOOK”. Não apenas é um nome bobo, mas ficará realmente inadequado quando o aparelho não for mais novo. Do que eles chamarão os futuros aparelhos? Even Newer Nook? The All-New All-New Nook? The Newest Nook Imaginable?

Ambos os aparelhos têm tela de E-ink de seis polegadas como a do Kindle: ela exibe com muita nitidez letras pretas em fundo cinza claro. Mas os aparelhos são menores do que o Kindle, já que não têm teclado. Em vez disso, eles usam a própria tela sensível ao toque do aparelho para digitação. Ela tem um sensor infravermelho que apareceu pela primeira vez em e-readers da Sony, bem mais caros.

Foi uma boa decisão de design. Com que freqüência usamos o teclado de um e-reader? Talvez em 0,01% do tempo, quando estamos digitando o nome de um livro para compra ou fazendo uma anotação. No restante do tempo o teclado só faz com que o Kindle seja maior. E nesse tipo de aparelho o tamanho importa, afinal ele pode ser usado por horas a fio.

Kobo é mais leve

No quesito peso, o Kobo é o vencedor. É o mais leve entre seus principais competidores, com apenas 198 gramas. O Kobo também é o mais barato entre os leitores de marcas conhecidas, com exceção do Kindle com anúncios (US$ 114 nos Estados Unidos).

O All-New-Nook é um pouco mais pesado e mais espesso (tem 0,76 centímetro a mais do que o concorrente). Quando pensamos na largura de um bolso de paletó, essa diferença pode ser relevante. Mas o tamanho maior tem sua razão de ser. A bateria dura dois meses com o Wi-Fi desligado, o dobro da bateria dos concorrentes.

Quando seguramos um e-reader, a parte de trás é a mais usada. Ambos os aparelhos tem a parte traseira ligeiramente emborrachada.

Memória

Cada aparelho tem memória para mil livros, além de uma entrada para cartão de memória e um botão liga/desliga na parte superior. Ambos têm ainda um botão Home abaixo da tela e uma porta USB para carregamento.

Como em todos os leitores com E-ink, a tela não tem iluminação própria. Quem gosta diz “é igual a um livro”. Quem não gosta diz “que ridículo, comprar um E-reader e depois ter que comprar uma luminária portátil pra ele! Prefiro o iPad”.

Melhoria no efeito flash

As telas E-ink também são famosas por um “flash” a cada troca de página. Esse fenômeno é uma conseqüência da tecnologia. Minúculos pontos pretos são magnetizados para formar as letras. Se toda a tela não for atualizada, alguns dos pontos podem não ser renovados e atrapalhar a formação dos caracteres.

Entretanto, os engenheiros da Barnes & Noble deram um jeito de eliminar o efeito de flash. No All-New-Nook, o flash acontece apenas a cada seis páginas viradas. Nas outras vezes o aparelho mostra um efeito de transição bacana entre as páginas.

Tudo bem, agora o flash a cada seis páginas distrai ainda mais. Mas nas cinco páginas anteriores o usuário teve uma experiência absolutamente imersiva de leitura. Fantástico.

Nook tem mais recursos

As vantagens do Nook em relação ao Kobo incluem ainda mais controles sobre o tamanho e tipo de letra (seis formatos), espaçamento entre linhas e até margens. O Kobo oferece apenas duas fontes e não tem opções para margens ou entrelinhamento. Ele também é mais lento do que o Nook. Algumas vezes você acaba tocando duas vezes na tela porque ficou em dúvida sobre o primeiro toque.

Em ambos os leitores a página é virada com um gesto sobre a tela ou simplesmente tocando na parte direita dela (o Nook também tem botões físicos). Tocar a tela por alguns segundos ativa o dicionário. Mover o dedo para cima joga a tela para baixo, como em um smartphone.

Mas esses aparelhos não são, humm, iPads. A tela não rola quando se faz o gesto do dedo para cima. Você espera um segundo e uma nova imagem aparece de uma vez. Essas telas também não são multitoque.

Recursos sociais

Ambas as empresas promovem bastante os recursos sociais dos aparelhos. O Nook Friends permite compartilhar o título do livro no Facebook e no Twitter e permite “emprestar” as edições (uso aspas pois o recurso é bem ruim, é possível emprestar um livro apenas uma vez e por duas semanas, isso para obras em que o recurso foi autorizado pelas editoras). O Kobo também permite divulgar sua atual leitura no Facebook e no Twitter e oferece pontos e medalhas por cada leitura.

Em ambos os casos é possível ler os livros em programas para Macs, PCs, smartphones com Android, iPads e iPhones. Tecnicamente nem é necessário comprar os e-readers.

O Kobo também tem aplicativos para BlackBerry e smartphones Palm Pre. Os sistemas das empresas sincronizam as páginas entre os aparelhos. Assim, uma leitura que começou no iPhone, por exemplo, pode ser retomada no PC do ponto em que se parou.

Ambos os e-readers se conectam às suas lojas por meio de redes Wi-Fi. O acervo das lojas é bem parecido. Ambas dizem que tem “mais de dois milhões de livros”, sem mencionar que pelo menos a metade é de livros grátis e antigos. Os dois aparelhos se saem bem ao exibir arquivos PDF.

Nook é a melhor opção

A Barnes & Noble avançou muito desde seu primeiro e-reader, lento e cheio de bugs (qual será o nome dele agora, All-Old, Nook?). O All-New-Nook, neste exato momento, oferecer a melhor combinação de tamanho, formato, duração de bateria e recursos. É um excelente produto para leitura.

 

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Livraria da Barnes & Noble nos EUA: Nook é aposta no mercado digital
Livraria da Barnes & Noble nos EUA: Nook é aposta no mercado digital

 

Mas lembre-se que, ao comprar um e-reader, você fica amarrado à loja do fabricante. Esquemas idiotas e incompatíveis impedem que um livro comprado no Kindle seja lido no Nook, e isso vale para outros leitores, como o iPad, e-readers da Sony ou o Kobo.

Por isso, escolha bem a empresa com a qual quer se casar, e fique de olho na concorrência. Por exemplo, o modelo do Nook com tela colorida não é tão novo assim, mas exibe cores e tem programas rudimentares de e-mail e navegação.

A Amazon também estuda uma nova versão do Kindle. A atual versão foi lançada há quase um ano e alguns sites especulam que o novo Kindle poderia ter tela colorida e acesso aos serviços de música e vídeo da Amazon.

Tudo isso indica que a era paleozóica dos e-readers está chegando ao fim. Nesse ritmo os e-readers chegarão em breve ao período jurássico.

 

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