publicado por Danilo Thomaz, na Época

Considerado por parte da crítica especialista como um cronista irreverente e provocador, tanto em prosa quanto em drama (já que escreve para teatro também), Marcelo Rubens Paiva deixa a desejar nesse quesito em seu mais novo livro, Crônicas para se ler na escola, uma compilação de textos organizada pela educadora Regina Zilberman.

Voltadas para o público infanto-juvenil, as crônicas do livro têm uma linguagem ágil, direta, que estabelecem uma relação de proximidade com o leitor, como nos textos que o cronista escreve quinzenalmente, aos sábados, para O Estado de S. Paulo.

É senso comum entre a crítica literária e os educadores que esse tipo de linguagem é fundamental para fazer com que a atual geração, sempre conectada a várias mídias e habituada às mensagens instantâneas, se prenda à leitura. (A mesma crítica talvez não conheça os grandes sucessos juvenis deste século: as sagas de Harry PotterCrepúsculo, todos com livros de mais de 300 páginas.)

Se é “jovem” onde não deveria se preocupar em ser – valem mais palavras escolhidas para criar as emoções necessárias e frases que se encadeiem de forma envolvente na leitura, sem importar o seu tamanho –, o livro é “velho” onde detestaria ser: em seu humor e irreverência.

O autor não consegue ultrapassar a fronteira do trivial na hora de transformar em humor as problemáticas do cotidiano. Na crônica, “O namoro” Paiva faz uma lista formada por clichês sobre quando podemos considerar que estamos namorando e dar certas liberdades ao outro. Em sua lista, constam questões como: “Quanto tempo de namoro é preciso para revelar a senha do e-mail?”

Em “O tio e a gravidade”, narra as dúvidas de uma menina diante do sol, das estrelas, de questões existenciais. Evidentemente, o tio e um homem frio e a menina doce e graciosa, como no musical “Annie” (1982), em que a garotinha protagonista conquista o coração do avarento. Há alguém na faixa dos 12 anos que se sinta provocado por uma história dessas?

Não basta agilidade e concisão de texto para fazer com que os jovens troquem seus avatares e mensagens instantâneas por um livro. É preciso tratar de temas que estejam consonância com suas angústias, ambições e alegrias. De que forma? O estilo de cada escritor é pessoal e intransferível. Cabe a ele descobrir e conquistar o leitor, e não quem ele imagina que seja esse leitor, como ocorre com Paiva, que “quer uma juventude engajada”.


 

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