Publicado originalmente em Universia.

Editoras universitárias abrem espaço para publicações acadêmicas e podem ajudá-lo a conquistar um espaço no mercado editorial

Você é do tipo que gosta de escrever e não perde a oportunidade de contar uma história? Já sei, seu sonho é figurar nas listas dos livros mais vendidos, a exemplo das badaladas JK Rowling e de Stephenie Meyer? Se a ideia de tornar-se um grande escritor não sai da sua cabeça, atenção! Alcançar a marca de 400 milhões de cópias de Harry Potter ou os “modestos” 100 milhões da saga Crepúsculo não é simples. É preciso solidez na criação da obra e nada melhor que experiência para alcançar o sucesso.

As editoras universitárias podem ser um bom começo para quem sonha em ver seu livro publicado. Dando preferência aos autores pertencentes à comunidade universitária (mas também aberta para qualquer autor), elas têm o conteúdo como fator determinante na escolha de obras que farão parte do seu rol de títulos.

As editoras universitárias diferenciam-se das editoras comerciais principalmente por serem menos restritivas e privilegiarem a qualidade do material. Livros cujos temas sejam capazes de suscitar debates e que tenham profundidade despontam na preferência desse segmento editorial. Outra característica marcante é o cuidado apurado em todo o processo de publicação.

Isso significa que ao optar por uma editora universitária o autor ganhará uma espécie de selo de qualidade porque ao mesmo tempo em que sua obra será avaliada pela qualidade das informações, da pesquisa, da escrita e do ineditismo da proposta, caso seja aprovada, terá passado pelo crivo de um time de acadêmicos, o que garantirá ao autor ainda mais credibilidade, tanto no meio acadêmico, como fora dele.

Como se destacar?

Anualmente, chegam às mãos dos conselhos editoriais dezenas de proposta para a avaliação e a concorrência tende a aumentar de acordo com o porte da editora universitária. Para se ter uma ideia, na Editora Unesp, braço editorial da Universidade Estadual Paulista, são recebidos cerca de 1.500 pedidos por ano. Entretanto, apenas 10% passa pelo crivo dos diretores. Ponto para quem tem um olhar inédito. É o que explica o editor executivo da editora Unesp, Jézio Gutierre. “Um bom livro é feito a partir da originalidade do tema, pelo interesse público e pela qualidade do texto.”

Quem pensa em publicar um livro deve saber que além do envio dos originais é preciso saber encantar o editor com uma análise de seu material. O envio de um documento com uma síntese de informações é o primeiro passo para convencer o editor sobre a relevância da publicação. Para isso, a proposta precisa ser justificada com a importância da sua obra para o público, temática e linha editorial adotada.

O processo de publicação não é tão simples quanto você deve imaginar. Só a etapa de avaliação pode durar até quatro meses. Por isso é preciso ter calma. A triagem é feita por três grupos: o corpo editorial, os avaliadores externos e o conselho editorial. Juntos, eles são responsáveis por verificar se o tema está de acordo com as diretrizes da editora, a solidez do assunto, o ineditismo, a estrutura narrativa empregada no livro, abordagem e o interesse do público.

Livro na prateleira

“Parabéns, seu livro será publicado!” Quando você ouvir esta frase pode comemorar, pois seu sonho começará a virar realidade. Depois de até quatro meses de espera, agora começa um período de preparo difícil de ser mensurado, já que o prazo de produção varia de livro para livro, podendo, em alguns casos, levar até anos. “A liberação dos direitos autorais leva tempo, o que interfere na definição do lançamento”, justifica Gutierre.

Livro escrito, proposta aprovada, produção executada. A melhor parte desta história chegou: o lançamento. Grandes eventos podem influenciar nesta etapa. Um livro de História da Arte, por exemplo, pode começar a ser distribuído em uma data próxima à Bienal de Artes de São Paulo. É preciso aproveitar o momento certo para obter visibilidade e impacto e o autor também deve estar atento a estes detalhes.

Engana-se por fim, quem pensa que ao optar por uma editora universitária estará condenando sua publicação a não sair das prateleiras do universo acadêmico, já que essas obras podem alcançar muitos outros pontos de venda. “A distribuição dos livros é feita também para livrarias comerciais”, conta o representante da EdiPUCRS (Editora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Rodrigo Braga. Neste caso, o volume de impressões é definido a partir da análise de variáveis, como custo de produção e preço de venda. “Lembrando que como o público geralmente é universitário, o valor pago precisa ser acessível.”

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