Texto de Cláudia Andrade publicado originalmente no Terra

Carlos Drummond de Andrade será lembrado na Flip 2012 / Foto: Reprodução

O mineiro Carlos Drummond de Andrade será o homenageado da décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em 2012. O anúncio foi feito neste domingo pela organização do evento, que pela primeira vez antecipou o nome do homenageado e os planos de lançamento de um livro comemorativo dos dez anos da festa, reunindo imagens desde a primeira edição, em 2003.

O poeta de A Rosa do Povoe dos versos “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho”, morreu em 1987, aos 84 anos. O poema ¿No meio do caminho¿, aliás, foi publicado originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia, em 1928. A revista surgiu como consequência do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, o homenageado da atual edição da Flip. Edição que termina neste domingo mais uma vez com público oscilando entre 20 mil e 25 mil pessoas, de acordo com a organização. No total, foram 139 convidados, 29 deles internacionais.

Os destaques, na opinião da presidente da Flip, Liz Calder, foram o angolano radicado em Portugal, valter hugo mãe, que escreve seu nome em minúsculas mesmo e proporcionou um dos momentos mais emocionantes da Flip, ao ler uma carta contando sua relação com o Brasil e chegar às lágrimas, e o baiano João Ubaldo Ribeiro, um dos que mais divertiu a plateia com suas histórias. “Eu nunca tinha visto o João Ubaldo, foi maravilhoso”.

Calder também ressaltou a participação do músico David Byrne, ex-Talking Heads, que falou sobre urbanismo e o uso da bicicleta. A discussão sobre arquitetura e urbanismo, aliás, deve se tornar mais presente nas próximas edições da Flip. Os organizadores já estão em contato com arquitetos que devem participar do evento nos próximos anos, para promover uma discussão sobre preocupações urbanísticas e estéticas nas cidades.

O diretor-geral da festa, Mauro Munhoz, destacou a mesa que contou com a participação da Kamila Shamsie e do caribenho Caryl Phillips, que foi criado na Inglaterra e hoje vive nos Estados Unidos. Kamila mora em Londres, na Inglaterra. O destaque também foi feito pelo curador, Manuel da Costa Pinto, para quem o que enriqueceu o debate entre os dois autores foi a experiência comum de fazerem parte da literatura de língua inglesa sem terem nascido nos Estados Unidos ou na Inglaterra.

Ele ressaltou ainda a coesão do evento deste ano em torno do homenageado, Oswald de Andrade, incluindo o “marco histórico” da presença do crítico literário Antonio Candido na palestra de abertura, até o show com José Miguel Wisnik, passando pela exposição com peças inéditas concedidas pela filha de Oswald, Marília de Andrade, e chegando à peça que o Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, que encerra a programação neste domingo.

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