Até o final do ano a Rússia terá a maioria dos seus clássicos disponíveis na internet

Publicado originalmente no Diário da Rússia

Fiódor Dostoiévski, um dos maiores nomes da literatura russa, autor de Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov

A Biblioteca Estatal da Rússia e a Biblioteca Nacional de São Petersburgo prometem concluir até o final do ano a digitalização dos seus maiores clássicos, apesar de todas as dificuldades técnicas e burocráticas, segundo revelou Aleksander Visliy, diretor-geral da Biblioteca Estatal.

Em 2009, o projeto Biblioteca Digital Mundial (WDL – World Digital Library) foi lançado na Internet pela UNESCO e mais de 30 países parceiros. A Biblioteca Estatal da Rússia logo aderiu à iniciativa, assim como a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e a Biblioteca Nacional do Brasil. Na Rússia, entretanto, o processo de digitalização esbarra com frequência na legislação de direitos autorais.

As bibliotecas russas têm o direito de digitalizar livremente as obras de autores falecidos há mais de 70 anos. O mesmo se aplica às traduções. “Por isso, por exemplo, não podemos digitalizar Shakespeare na tradução de Boris Pasternak. Só temos o direito de digitalizar uma tradução mais antiga”, lamenta Aleksander Visliy.

De qualquer maneira, o trabalho tem avançado e recebe apoio do governo. Num dos seus discursos no Parlamento, o ministro da Cultura, Aleksander Avdeev, anunciou que em aproximadamente dez anos as antigas edições dos clássicos estarão fora de uso, e que uma crise no setor das bibliotecas se aproxima.

Segundo Aleksander Visliy, a crise já existe. Ele explica que existem cerca de 40 mil bibliotecas na Rússia. Essas instituições ainda contam com as antigas edições dos clássicos, que eram publicadas em tiragens muito altas, na época soviética, que frequentemente superavam a cifra de alguns milhões. Hoje ninguém publica os clássicos nessa quantidade, por considerações comerciais. Ou seja, em breve as bibliotecas sentirão falta de clássicos no seu acervo, quando as edições antigas entrarem em desuso. O único caminho para superar a crise é a digitalização das obras, que garantirá o acesso aos livros através do computador.

Atualmente, 18% das bibliotecas, aproximadamente, estão conectadas à rede. O orçamento de 2012 e 2013, porém, já contempla conexão para todas as bibliotecas do país.

De qualquer maneira, o trabalho avança, e até o final do ano a Rússia terá a maioria dos seus clássicos à disposição na internet.

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