Texto de Pedro Landim publicado originalmente no jornal O Dia

Mario Vitor abandonou a publicidade ao descobrir paixão pela literatura | Foto: Divulgação

Como herança literária, o despudor. Quando escreveu no Rio as primeiras palavras, após viagens e pesquisas pelo mundo, o ex-publicitário Mario Vitor Rodrigues, 37 anos, neto do escritor Nelson Rodrigues, descobriu numa onda de prazer que seu futuro está na literatura. E construiu uma história de liberdade através dos pecados. Sete, para ser exato.

“Os Sete Pecados Capitais são totalmente humanos, nossos instintos primitivos, tomara que possamos praticá-los todos os dias”, diz Mario Vitor.

São palavras semelhantes às de Carlos, um de seus personagens, no e-mail enviado a um grupo de amigos que está na abertura de ‘Absolvidos’ (Ed. Nova Fronteira, R$ 39,90), romance de estreia do jovem que carrega nos genes — e na memória — um dos escritores brasileiros de maior personalidade em todos os tempos.

Para criar o grupo de sete amigos que moram em diferentes países, e resolvem viver, cada um deles, um dos sete ‘pecados capitais’ , Mario viajou a Paris, Nova York e Milão (onde morou quando criança), e entrevistou 15 mulheres em nome de Fernanda, a personagem que vive a Luxúria em cenas de ‘sexo explícito literário’.

“Precisava entender a libido feminina, o ponto de vista da mulher na cama”, conta o autor, que também visitou uma casa de swing com uma amiga durante o ‘laboratório’.

“Somos metidos a católicos, com grande herança conservadora no País. O Rio é provinciano, não é tão cosmopolita como gostaríamos”, afirma.

Das lembranças do avô, que morreu quando Mario tinha 7 anos, ficaram cenas de fascínio infantil, como o barbeiro que atendia Nelson em casa, no Leme. “As bandeiras e camisas do Fluminense, e eu no colo, brincando com a verruga em seu pescoço, mas ainda sem a clareza de quem ele era”, recorda um torcedor tão apaixonado como Nelson.

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