Publicado originalmente no Impulso HQ.

Uma dos mais novos selos editoriais de quadrinhos no mercado é a NEMO, pertencente ao Grupo Editorial Autêntica. Quem está à frente da coordenação editorial é Wellington Srbek, roteirista, editor e pesquisador de quadrinhos, que já anunciou que a editora publicará suas obras no formato álbum, ou seja, graphic novels.

Dito e feito. Recentemente a editora já fez três lançamentos: Senhor das Histórias e Ciranda Coraci, ambos de Wellington Srbek e Will, roteiro e arte respectivamente, e Arzach, do renomado quadrinhista Moebius.

Além de Moebius, outros ícones do quadrinho europeu também serão publicados pela NEMO, mas se engana quem pensa que esse é o único caminho que ela irá seguir. Senhor das Histórias e Ciranda Coraci, são dois títulos 100% nacionais e diversificam o leque da editora como diz Will: “Foi muito bacana e desafiador para mim como quadrinhista desenhar esses dois roteiros do Wellington, afinamos a parceria do MSP+50. Ciranda Coraci e O Senhor das Histórias são criações autorais e tão importantes quanto os outros títulos, estou muito orgulhoso do trabalho”.

O Impulso HQ conversou com Srbek para saber mais sobre a editora, suas estratégias para alcançar o leitor e as suas novidades que eles estão preparando. Confira:

ImpulsoHQ: Indo direto ao ponto. O que é a Editora Nemo e por que ela nasceu?
Wellington Srbek: A NEMO é a editora de quadrinhos do Grupo Autêntica, e ela nasceu para publicar HQs de qualidade, produzidas por autores brasileiros e estrangeiros.

IHQ: Como foi decidida a escolha das coleções da editora e os títulos integrantes?
W.S.: Enquanto editor da NEMO, uma de minhas funções é propor séries, coleções e títulos, que então são discutidos com os diretores da editora. Foi assim no caso de Arzach e da coleção Shakespeare em Quadrinhos, por exemplo. Além disso, nosso diretor executivo, Arnaud Vin, trouxe da Europa várias propostas de álbuns que estamos estudando.

IHQ: A editora chega ao mercado com uma atitude ousada, publicar material franco-belga inédito no Brasil. Não é muito arriscado comercialmente falando?
W.S.: Criou-se um falso pressuposto de que quadrinhos europeus não vendem no Brasil, e ponto final. Na verdade, já houve experiências bem-sucedidas na publicação de quadrinhos europeus por aqui. Claro que houve também experiências mal-sucedidas, que se devem em parte ao fato de que os títulos não foram corretamente trabalhados. Mas acreditamos na qualidade e importância dos álbuns que selecionamos, e estamos trabalhando para oferecê-los aos leitores em edições com ótima produção gráfica e a preços acessíveis.

IHQ: Vocês acreditam em um “amadurecimento” do leitor brasileiro para esse tipo de publicação, ou essa decisão foi baseada em outras questões? Quais?
W.S.: Se você for a uma livraria ou loja de quadrinhos hoje, encontrará uma enorme variedade de títulos, gêneros e formatos editorais. Na certa, nesse mercado mais diverso e maduro, há espaço para os álbuns europeus. Paralelamente, na última década, essa evolução do mercado de quadrinhos trouxe de volta antigos leitores que haviam deixado as HQs de lado, conquistou novos leitores adultos e também manteve aqueles que, chegando à casa dos 30 anos, agora encontram nas lojas edições com temas e abordagens que lhes interessam. Este momento para os quadrinhos no Brasil é fantástico, pois o mercado editorial e a sociedade em geral estão enfim percebendo que os quadrinhos não são apenas um passatempo despretensioso para crianças e jovens, mas também uma forma de arte diversa e sofisticada. E nada representa melhor isso do que os álbuns europeus!

IHQ: Todos os quadrinhos da NEMO serão publicados de acordo com as obras originais, independentes do formato e cor?
W.S.: Vamos publicar nossos álbuns estrangeiros da melhor forma possível, tendo como base as edições originais e realizando adaptações nos casos em que isso favoreça o produto final que chegará aos leitores.

IHQ: Além de Moebius e Hugo Pratt, quais outros ícones dos quadrinhos europeus a editora Nemo pretende publicar? Quais títulos?
W.S.: Estamos estudando vários autores e títulos estrangeiros, que não posso anunciar ainda. Além de Moebius e Pratt, o que posso adiantar agora é o lançamento, ainda em 2011, de Era a guerra de trincheiras de Jacques Tardi e A Trilogia Nikopol de Enki Bilal.

Will e Srbek durante o lançamento de Ciranda Coraci e O Senhor das Histórias, na HQMIX Livraria, em São Paulo

IHQ: A editora também está visando os programas nacionais de incentivo a leitura com a série Mitos Recriados em Quadrinhos?
W.S.: A série Mitos Recriados em Quadrinhos nasceu de meu interesse pelo tema mitológico e da vontade de trabalhar com Will, um dos desenhistas mais talentosos de nossos quadrinhos. Ciranda Coraci e O Senhor das Histórias são trabalhos criativos e autorais, e não foram feitos para os programas de compras de livros. Se eles forem selecionados, ficaremos muito felizes, mas na NEMO não estamos produzindo quadrinhos formatados sob encomenda para programas de compras de livros. Estamos produzindo álbuns autorais de qualidade, e as HQs falam por si!

IHQ: A editora também pretende investir em quadrinhos de autores independentes?
W.S.: De nossos primeiros lançamentos nacionais, todos os títulos são produzidos por autores saídos do circuito independente ou ainda pouco conhecidos. Os álbuns da coleção Shakespeare em Quadrinhos, por exemplo, são produzidos por Marcela Godoy e Roberta Pares, Lillo Parra e Wanderson de Souza, Jozz e Akira Sanoki. A série Mitos Recriados em Quadrinhos é produzida por mim e por Will, dois quadrinhistas que lançaram a maioria de seus trabalhos de forma independente.

IHQ: Como foi feita a seleção para os autores (roteirista e quadrinhistas) nacionais?
W.S.: A seleção é feita da forma como deve ser feita: convidamos aqueles autores cujos trabalhos e estilos combinam com os títulos que queremos produzir.

IHQ: Foi divulgado que a editora fará ações nas plataformas iOS (iPhone, iPad) e Android, em outras línguas. Na visão comercial de vocês, essa estratégia é uma estratégia para atrair novos leitores?
W.S.: Não só para atrair novos leitores, mas também oferecer aos leitores em geral uma alternativa para a aquisição e leitura de nossas HQs. A loja digital MobiComics, ligada à NEMO, também abre espaço para a publicação de trabalhos de autores independentes e de outras editoras. Na verdade, a plataforma digital traz muitas possibilidades, como a produção de conteúdos exclusivos para o meio digital, o que está em nossos planos futuros.

IHQ: Para finalizar, até o fim do ano quais os títulos e autores que a editora Nemo pretende já ter publicado?
W.S.: Além dos dois primeiros volumes da Coleção Moebius, de Corto Maltese – A Juventude, Era a guerra de trincheiras e A Trilogia Nikopol, estamos estudando outros títulos estrangeiros. Quanto aos nacionais, além de Ciranda Coraci e O Senhor das Histórias, teremos minha adaptação de Dom Casmurro, desenhada por José Aguiar, e os primeiros volumes da coleção Shakespeare em Quadrinhos: Romeu e Julieta, Sonho de uma noite de verão e Otelo. Outros álbuns nacionais, como nossa coleção História & Quadrinhos, estão em produção agora e serão anunciados em breve. Nosso projeto está apenas começando e temos muita coisa bacana pela frente!

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