Via BBC
Cathy Wilson conheceu Peter Tobin aos 16 anos, mas só descobriu que ele era um assassino oito anos depois. Foto: BBC BrasilCathy Wilson conheceu Peter Tobin aos 16 anos, mas só descobriu que ele era um assassino oito anos depois

Quando tinha apenas 16 anos, em 1986, a britânica Cathy Wilson se encantou com um homem 24 anos mais velho, que dizia ter sido agente do Exército, “muito charmoso e contador de histórias exóticas, que me fazia sentir especial”.

Anos depois, ela descobriu que esse mesmo homem, Peter Tobin, era um serial killer, hoje cumprindo pena após ser condenado pela morte de três jovens. Ele ainda é suspeito de outros crimes.

A versão de Wilson para a história do casal acaba de ser lançada em livro, Escape from Evil (“Escapada do mal”, em tradução livre). Em entrevista ao programa “Newsnight”, da BBC, na última quinta-feira, Wilson diz que o marido era violento e controlador, mas nunca imaginou que ele fosse um assassino.

Wilson se casou com Tobin em 1989 e pouco depois deu à luz a um bebê, mas, dois anos depois, pediu a separação. Segundo ela, quando pediu o divórcio, ele ameaçou jogar o filho do casal, Daniel, da escada. Três meses depois, em um dia em que Tobin saiu à noite com amigos, ela foi embora com o bebê.

Crimes
Questionada a respeito do comportamento criminoso do marido, ela disse que nunca se deu conta de nada até ter sido convocada pela polícia, em 1994. Nessa época, Tobin já era suspeito pelo desaparecimento de duas jovens, Vicky Hamilton, 15 anos, e Dinah McNicol, 18 anos, além do estupro de duas meninas de 13 anos.

Ao depor à polícia e ouvir as acusações que recaíam sobre o ex-marido, Wilson entrou em choque: “Não pode ter sido esse homem. Não é o homem que eu conheci. Mas uma menina confirmou (a identidade dele)”, relembra a britânica, que então deu pistas à polícia de onde Tobin poderia ser encontrado.

No mesmo ano, ele foi condenado a 14 anos de prisão pelo estupro das duas meninas, mas cumpriu apenas nove anos da sentença, após ser libertado pela Justiça. Em setembro de 2006, a estudante polonesa Angelika Kluk, 23 anos, é estuprada e morta. Seu corpo é descoberto sob o piso de uma igreja em Glasgow. Dias depois, Tobin foi indiciado pelo crime.

“Fiquei revoltada. Foi uma morte desnecessária”, diz Wilson. “Se ele tivesse cumprido a pena inteira, uma menina estaria viva hoje.”

Tobin foi condenado à prisão perpétua pela morte das três jovens, mas seu passado continua sendo investigado. Em janeiro deste ano, a polícia britânica identificou sete mulheres que dizem ter sido vítimas de estupro cometido por ele.

Wilson acha que nunca percebeu nada porque pode ter sido sedada durante o casamento. “De algumas noites, não me lembro de nada”, diz, sentindo-se “afortunada” por não ter sido vítima do ex-marido. “Acho que, quando tive seu filho, mudei perante os olhos dele”, afirma. “Por isso ainda estou viva. Não era para eu estar aqui hoje.

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