Publicado originalmente por Tiago Doria no Weblog

A indústria musical foi uma das primeiras a ser atingida pelo rolo compressor da digitalização. Não teve muito tempo para pensar. Foi pega de surpresa. Saiu distribuindo processos judiciais contra os próprios clientes e usando tecnologias (DRM) que, no final das contas, se mostraram ineficientes. Foi a típica indústria que confundiu serviço (experiência musical) com tecnologia utilizada (CD).

A indústria de livros, última a passar pelo processo do digital, promete estar mais preparada. Aliás, as expectativas seriam cada vez mais positivas. A esperança é que a transição para o digital seja menos traumática que na indústria musical, revela matéria da Economist.

Um dos símbolos dessa transição seria a atitude da IKEA, a qual anunciou que remodelará a Billy, tradicional modelo de estante produzida pela empresa de móveis. A nova versão será voltada justamente para guardar qualquer coisa menos livros de papel.

Esse processo de digitalização já estaria aumentando as margens de lucro e minimizando problemas na logística de distribuição de livros. Porém, criando novos transtornos, mesmo que em menor volume, como a “pirataria de livros digitais”.

Responsável atualmente por 60 a 70% do mercado de ebooks nos EUA, a Amazon, que construiu seu negócio em torno dos livros de papel, continuaria firme e com folga no páreo. Cenário no qual, porém, não depositaria todas as fichas.

A Amazon tem a vantagem de ter o melhor leitor de ebook (aka Kindle) e de já ter relacionamentos com editoras. Porém, quando digitalizados, livros transformam-se em bits. E, atualmente, a melhor empresa que gerencia bits na web é a Google. Se a Google quiser entrar para valer no mercado de ebooks, as coisas prometem não ficar tão fáceis para a Amazon.

Além disso, é preciso lembrar que junto com a digitalização vem um processo de “softwarização“. Ou seja, livros podem se transformar em softwares (aplicativos). O que abre espaço para que se remixem com outros tipos de mídia e que desenvolvedores ganhem mais relevância na indústria de livros. Enfim, muita água ainda promete rolar no mercado de livros.

Talvez a matéria da Economist seja um ótimo exemplo de que a indústria de livros passa pelo que o futurista Thomas Frey chama de “Maximum Freud“. Um período de interseção de tecnologias em que os protagonistas de uma indústria devem passar por uma fase de autoanálise para entender o que realmente está acontecendo. Um espaço de tempo marcado por um caos extremo, mas também por muitas novas oportunidades.

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