Publicado originalmente no Jornal de Notícias

Uma adolescente alemã, de 16 anos, foi detida por grafitar símbolos nazis em cartazes de um partido político de esquerda. A jovem, condenada a serviço comunitário, teve uma sentença inédita: comprar uma cópia do Diário de Anne Frank e, num prazo de dez dias, apresentar ao juiz um resumo do livro.

 
foto Arquivo
Jovem delinquente condenada a ler o Diário de Anne Frank
Anne Frank
 

A adolescente, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades alemãs, que protegem a identidade de infratores menores, foi apanhada em flagrante a pintar, com spray, suásticas negras e as siglas da organização militar nazi SS em cartazes de propaganda eleitoral, do partido “Die Linke” (A Esquerda, em tradução livre).

Durante o julgamento, ficou provado que a alemã e outros dois amigos grafitaram 33 cartazes.

Foi condenada por delito de propagação de símbolos anticonstitucionais, resistência à detenção e agressão a um agente policial. A jovem vai cumprir 20 horas de serviço comunitário e 10 meses de liberdade condicional.

O insólito neste caso é a decisão do tribunal que obriga a réu a ler o Diário de Anne Frank e a redigir um resumo, num período de dez dias, para apresentar ao tribunal.

O juiz responsável pelo caso, Reinhardt Hering, espera que o livro dê a conhecer uma realidade completamente desconhecida para a adolescente alemã.

Nas sessões do julgamento, a jovem foi examinada sobre o seu conhecimento da história e não conseguiu responder a questões básicas sobre o que eram as SS, que valores representam a suástica e quais foram as consequências históricas do nazismo.

“O tribunal determinou, com base em testemunhos recolhidos durante todo o julgamento, que a réu não tem a menor ideia do que realmente significa a suástica e condena-a, portanto, a encarar os factos”, diz uma declaração emitida pelo tribunal de Kassel.

O juiz Hering reconheceu ainda, em declarações à estação de rádio alemã “Berliner Rundfunk”, ter ficado ansioso a nível pessoal e profissional por “não saber o que fazer como uma rapariga como esta”.

Um porta-voz do tribunal explicou a decisão dizendo que “no caso do Direito de Menores, o objectivo da sentença não é punição, mas sim educação e reabilitação. O importante é dar à condenada a oportunidade de aprender algo a partir da leitura deste livro”.

Recorde-se que o Diário de Anne Frank conta a trágica história de uma jovem alemã, de origem judaica, que foi perseguida pelos nazis. Anne morreu aos 15 anos com febre tifóide e problemas de nutrição, no campo de concentração de de Bergen-Belsen, na Alemanha.

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