Filósofo imita estrutura do livro sagrado em guia para ateus

Crédito: Tommy Ga-Ken Wan

Crédito: Tommy Ga-Ken Wan

O professor de filosofia da Universidade de Londres A. C. Grayling lançou o livro The Good Book: A Secular Bible (O Livro Bom: Uma Bíblia Secular, ainda sem edição no Brasil), uma espécie de guia para ateus. Ao lado do cientista Richard Dawkins e do escritor Christopher Hitchens, Grayling, 62 anos, é um dos expoentes do chamado Novo Ateísmo, que milita pelo abandono de religiões e superstições. Assim como na bíblia cristã, a obra de Grayling começa no Gênesis e segue para Lamentações e Provérbios, tudo organizado em capítulos e versos. “A estrutura bíblica é convidativa e acessível. O leitor pode escolher trechos ou seções para ler separadamente”, diz o autor.

Porém, nas 608 páginas da obra de Grayling não há sequer uma menção à palavra “Deus” ou qualquer outra referência divina, mas sim citações e conceitos de grandes pensadores como Aristóteles, Isaac Newton e, não podia faltar, Charles Darwin. O autor acredita que há pensamentos profundos e sérios sobre o bem nas grandes tradições não-religiosas que seriam mais humanos e vivíveis — sem estar sob o comando de uma autoridade.

Antevendo críticas, Grayling já declara: “Quase tudo escrito em meu livro vem de grandes mentes do passado. Quem atacá-lo automaticamente atacará Cícero, Confúcio e por aí vai”. Para terror dos católicos, Grayling chegou a elaborar os 10 mandamentos dos ateus, estes sim redigidos a partir de suas próprias ideias. “Só espero não me tornar um ‘deus’. Certamente eu não seria bom nisso.”

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