Publicado originalmente no AEIOU

Julian Assange, fundador WikiLeaks, classifica a biografia como "memórias prostituídas"

Julian Assange, fundador WikiLeaks, classifica a biografia como "memórias prostituídas"

“The man behind Wikileaks” (“Julian Assange: A Biografia Não Autorizada”) já está nos escaparates no Reino Unido. O fundador do WikiLeaks criticou hoje o editor britânico da Canongate pela divulgação de um rascunho das suas memórias sem a sua aprovação, salientando não ter conhecimento do conteúdo do livro.

A publicação, que Julian Assange classifica como “memórias prostituídas”, foi hoje colocada à venda também através da Internet.

A biografia não autorizada de Julian Assange tem 339 páginas e foi escrita por Andrew O’ Hagan depois de 50 horas de entrevistas com o ativista, que após o primeiro capítulo tentou romper o contrato com a editora.

Julian Assange, que está a ser acusado de violação – crime que volta a negar categoricamente na biografia não autorizada – aguarda em liberdade condicional a decisão do tribunal de Londres sobre o pedido de extradição apresentado pela Suécia.

Assange: sexo com duas mulheres foi consentido

Segundo a edição de hoje do jornal britânico “The Independent” – que teve acesso em primeira mão a alguns trechos da publicação-, o livro trará ao público pela primeira vez os relatos do fundador do WikiLeaks sobre o seu encontro com as mulheres que agora o acusam de abuso sexual e violação.

Assange assegura que teve relações sexuais consentidas com as duas e garante que o seu processo de extradição é uma farsa.

O fundador do WikiLeaks – que se declara “um pouco autista, como todos os hackers” – afirma que o governo norte-americano quis preparar-lhe uma “armadilha”.

No livro, Julian Assange recorda que ao chegar à Suécia, a 11 de agosto, foi informado por uma das suas fontes de uma agência de serviços secretos que o governo norte-americano reconhecia ser difícil processá-lo, mas considerava lidar com o fundador do WikiLeaks “de forma ilegal”.

“A fonte especificou o que isso significava: encontrar algum tipo de vínculo entre Bradley Manning – o soldado acusado de ser a principal ponte na fuga de mensagens diplomáticas – e o WikiLeaks, e se isso não fose possível, encontrariam outras maneiras (de o implicar)”, diz alegadamente Assange.

Entre os meios ilegais, estariam “pôr drogas nos meus pertences”, “encontrar pornografia infantil no meu computador”, e “procurar uma forma de me envolver em acusações de conduta imoral”, explica.

A biografia não autorizada revela também, através de uma visão pessoal, a maneira como Julian Assange passou de praticamente desconhecido a personalidade internacional num período de um ano.

Ativista terá recebido 570 milhões de euros

A pequena editora escocesa está a lançar a biografia apesar de o australiano ter anulado em junho o contrato com a Canongate Books e desautorizado o lançamento do livro. Assange decidiu cancelar o contrato com a editora após ler a primeira versão do manuscrito.

A editora garante ter pago os direitos de publicação a Julian Assange em 2010 – meio milhão de libras, ou seja, 570 mil euros, de acordo com a imprensa britânica – e explicou que o fundador do WikiLeaks começou a escrever o livro com um escritor-fantasma, tendo mais tarde abandonado o projeto e tentado cancelar o contrato.

Como Julian Assange não reembolsou a editora, esta decidiu publicar o primeiro rascunho que o o fundador da WikeLeaks entregou na editora em março.

Numa declaração feita à agência Associated Press, Julian Assange acusa agora a Canongate de pretender fazer dinheiro com um trabalho “inacabado e erróneo” e sustenta que não é uma questão de liberdade de informação, mas “oportunismo e duplicidade”.

Entretanto, a Canongate já vendeu os direitos de publicação da obra a outros 30 editores em todo o mundo, incluindo a norte-americana Alfred A. Knopf.

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