Uma das explicações é que as publicações ficaram mais baratas – o preço caiu quase 5% em 2010; outro motivo é a dedicação dos vendedores de livros de porta a porta

Publicado originalmente no pe360graus

Uma pesquisa da Câmara Brasileira de Livros revelou um aumento de 13,12% na venda de livros no Brasil entre 2009 e 2010, inclusive no Nordeste. O faturamento chegou a R$ 4,5 bilhões.  Uma das explicações é que o livro ficou mais barato – o preço caiu quase 5% no ano passado. É um círculo virtuoso: quanto mais livro se vende, mais barato ele fica.

“O poder aquisitivo do povo está aumentando e o livro está ficando mais barato. Então junta a fome com a vontade de comer. O livro mais barato e a pessoa ganhando mais. Essa atividade está aumentando a cada dia, porque se você vende mais, você tem mais dinheiro”, afirma José Alventino, presidente Associação do Nordeste das Distribuidoras e Editoras de Livros (Andelivros).

Mas também existe um profissional que tem colaborado bastante para esse sucesso de vendas: o vendedor de livros. Profissionais que percorrem maratonas com os livros nas mãos, batendo de porta em porta. A pernambucana Amara Rodrigues faz isso há 30 anos: a pé, ela caminha pelos bairros do Recife, indo de casa em casa oferecer as publicações.

Graças a profissionais como a Amara, as vendas diretas nas casas dos consumidores aumentou em 21,66%. De vendedor em vendedor, eles formam um exército anônimo que se espalha por todo o País, principalmente no Norte e no Nordeste, onde o número de livrarias é menor. Só em Pernambuco são 10 mil vendedores que estão popularizando o acesso aos livros.

Muito comunicativa e cheia de bons argumentos, Amara é uma vendedora que não perde a viagem. Ela não mede distância, nem esforço para vender. São seis horas de andanças por dia. É uma apaixonada pelos livros que adora a profissão e não pode reclamar da sorte. “Consegui dois apartamentos, formei minha filha, minhas coisas são tudo organizadas, consegui tudo vendendo livro”, conta.

Uma das clientes é a professora Maria Isabel Benedita, que comprou mais um livro para a pequena escola que tem dentro de casa. “Facilita bastante, porque é a maneira de eu ter contato com os livros. Eu não tenho tempo que sair para pesquisar, para procurar. Então a vendedora chegando até a minha porta fica mais fácil para mim”, diz.

Nesta aventura solitária, eles estão escrevendo uma história de sucesso para os livros e para eles próprios. “Eu comecei a minha vida vendendo livros. Isso muito me orgulha. Eu acho que nós temos um débito muito grande com eles. A gente não deve achar o vendedor de livro um chato. Hoje a gente vê que ele é quem está fazendo esse país crescer”, afirma o presidente da Andelivros, José Alventino.

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