Texto escrito por Camila Kehl no Livros Abertos

Tem muita gente que nunca leu um livro — e isso não é motivo de vergonha. É, e em especial no nosso país, uma situação comum. Faltou incentivo, vontade, oportunidade. Faltou leitura, ponto. O motivo, para este texto, não é importante.

O importante é que alguém que nunca leu um livro pode ter clicado aqui; ou está lendo este post por recomendação. Isso atesta que existe interesse e existe também noção da importância da literatura. É esse o meu objetivo.

Você já entrou em uma livraria ou sebo? Já frequentou uma biblioteca? São universos simples e estão longe de carregar essa aura de hostilidade que você imagina. Em primeiro lugar, considerando a importância da cultura, o livro não é, em geral, um objeto caro. Existem edições ótimas a preços acessíveis: são os chamados livros de bolso. Eles costumam ser vendidos por uma média de preço de R$ 15,00. Se procurar bem e dependendo do exemplar, encontra até por menos. Já os sebos são lugares especializados em vender livr­­os usados por valores logicamente menores; as obras, nesse caso, também têm um custo muito baixo — podem chegar a R$ 1,00. Por último, as bibliotecas são ­­­opções gratuitas que estão ao alcance de um cadastro simples.

Por onde começar? Não exija demais de si mesmo nesse início. O ideal é buscar obras fáceis e descomplicadas.

À medida que avança na leitura, pesquisar palavras desconhecidas no dicionário é fundamental. Ler devagar também é essencial para absorver e assimilar a história no seu tempo. Não há pressa: tudo bem se você demorar meses para chegar à última página.

A leitura, como muitas coisas, é um hábito; adquiri-lo exige perseverança — aí a importância de não desistir no meio do caminho.

A seguir, uma pequena lista de boas opções para aqueles que nunca leram um livro, ou que leram poucos durante a vida. Todos são best-sellers.

Sophie Kinsella

Já ouviu falar em Becky Bloom? É a personagem mais famosa e carismática criada por Sophie. As histórias que a incluem (é uma série de livros!) falam basicamente sobre consumismo, moda e relacionamentos — mas de um jeito açucarado e divertido. Ótimo começo para as românticas.

Sidney Sheldon

Mestre do suspense e best-seller mundial. Vai agradar em cheio aos apaixonados pelos enredos obscuros, misteriosos e eletrizantes. E aos curiosos. Um bom começo antes de mergulhar em Arthur Conan Doyle.

Helen Fielding

Autora dos livros que deram origem aos filmes de Bridget Jones. Semelhante a Sophie Kinsella, mas com uma dose extra de humor ácido. As aventuras da famosa personagem são contadas em forma de diário. Fácil e gostoso de ler. Bom antes de partir para Jane Austen.

Marian Keyes

Divertida, criativa, perspicaz. Marian Keyes é uma ótima escritora para os iniciantes. Sua escrita é fácil, ágil, empolgante. Há vários livros disponíveis. Escolha a sinopse que mais lhe agrada e boa leitura. Prepare-se para Sveva Casati Modignani.

Dan Brown

Com uma escrita envolvente, aborda temas históricos e tem o poder de deixar o leitor constantemente preso à leitura por um fio trançado com curiosidade e expectativa.

Martha Medeiros

Escritora gaúcha de destaque nacional. Seus livros são gostosos de ler e abordam temas diversos. A linguagem tende a fazer com que o leitor se sinta muito próximo da autora. Leia, depois, outra gaúcha: Lya Luft.

É importante dizer que o comodismo nunca é benéfico. Se você passou pelos primeiros livros tranquilamente (e gostou deles), parta para outros que representem um desafio um pouco maior. E sempre adiante.

Ressalva: sim, muitos são considerados literatura girly, ou mulherzinha. Como feminista, sinto certa dor ao recomendá-los — principalmente Sophie Kinsella, que aborda o consumismo desenfreado de forma muito pungente e nada crítica. Mas considero que o hábito da leitura se dê em constante crescimento, que, com o tempo, expande a visão do mundo e, consequentemente, das possibilidades da vida. São válidos, portanto, como um começo.

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