Publicado originalmente no Jornal Floripa

A bicicloteca –uma bicicleta equipada com um baú atrás com centenas de livro dentro– do ex-morador de rua Robson Mendonça, 60, foi roubada na última quarta-feira (21) na praça do Patriarca, no centro de São Paulo.

A biblioteca sob duas rodas era o sonho de Mendonça que virou realidade em julho deste ano. Por gostar de ler, e não poder pegar emprestados livros em bibliotecas públicas por não ter comprovante de endereço, ele idealizou a bicicloteca para emprestar livros aos moradores de rua.

Na semana passada, durante uma entrevista a uma emissora de TV sobre o seu trabalho, sua bicicloteca foi roubada. “Pedi para um morador de rua, que sempre retira livros comigo, olhar a bicicloteca enquanto eu ia ao banheiro. Quando eu voltei, ele não estava mais lá. Me falaram que ele tinha ido dar uma volta, que acharam que ele fosse meu amigo, mas ele nunca mais voltou”, conta Mendonça emocionado.

Todos os dias após o roubo, Mendonça percorre lugares que são frequentados por viciados em crack para tentar encontrar a bicicloteca. “Voltei ao local de onde me roubaram e perguntei se ele tinha voltado por lá. Me contaram que ele era viciado em crack e não tinha aparecido mais. Eu não sabia, achava que era só cachaça.”

A procura de Mendonça foi registrada em vídeo –onde ele deixa seus contatos– para ajudar na recuperação da bicicleta que tinha cerca de 200 livros –todos doados. No baú, títulos de Truman Capote, Lima Barreto, Graciliano Ramos, entre outros.

“Nem é pelo dinheiro, é pelo valor do trabalho com a comunidade. Todo mundo já conhecia, o pessoal chegava a retirar uns 100 livros por dia, depois todos devolviam e pegavam outros”, afirma.

Mendonça perdeu a mulher e dois filhos em um acidente. Essa foi uma das causas que o levou para a rua, onde permaneceu por seis anos, até 2003.

Hoje, ele dirige uma ONG para pessoas das ruas, o Movimento Estadual da População em Situação de Rua.

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