Publicado originalmente na PE 360 graus

Entre as atividades realizadas no tempo livre, a leitura só aparece em quinto lugar; apenas 20% incorporam o hábito no cotidiano

Com o grande número de visitantes na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em Olinda, que segue até o próximo domingo (02), uma pesquisa sobre a leitura chama a atenção. Mesmo com tantos leitores na feira em busca de novas publicações, um estudo feito por professor da Faculdade Fafire revela o que os moradores da Região Metropolitana fazem quando estão de folga. A leitura ficou em quinto lugar, apenas 20% das pessoas usam o tempo livre para ler. Um fato curioso é que as mulheres lêem mais que os homens.

“Além de conhecer uma celebridade, também estamos absorvendo cultura. A gente se apaixona pelos livros e acaba se identificando”, é o que conta a estudante Lígia Paulino, que veio da Paraíba para encontrar uma autora na Bienal. Exemplos como esse não são regra. O que o professor Uranilson Carvalho ouviu 700 pessoas com mais de 16 anos, em agosto deste ano, e descobriu que em primeiro vem sair com os amigos, depois, ouvir música, ver tv e acessar a internet.

O levantamento também revelou que entre os homens 18% tem o costume de ler, enquanto as mulheres, 23%. O hábito de ler também está ligado à escolaridade, quanto maior o estudo, mais tempo dedicado à leitura. Apenas 6% dos que estão no ensino fundamental lêem no tempo livre. Já entre os pós-graduados, o número sobe para 40%. A situação é parecida com relação à remuneração, 18% de quem ganha entre um e dois salários mínimos vêem o livro como uma forma de lazer. Há um aumento, para 38%, entre os que ganham mais de 10 salários.

Outro dado interessante é que 47% das pessoas responderam que não lêem porque não tem tempo, 20% não gostam, 19% não têm costume, 10% por preguiça e 2% porque acham o livro caro. Esses números não falam apenas de leitura, mas de cidadania. “O cidadão com uma melhor formação tem condições de questionar, de cobrar mais das autoridades, e, inclusive, usam os recursos públicos da melhor forma possível. Com isso, ganha todo mundo, a família, a sociedade e o próprio estado”, explica o autor da pesquisa, Uranilson Carvalho.

Já a escritora Paula Pimenta acredita que a leitura pode ser o começo de uma grande revolução. “Eu acho que em alguns anos, como os adolescentes estão lendo mais hoje em dia, os adultos e o Brasil inteiro vão ler mais”, diz.

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