Conheça as mulheres que fizeram a cabeça de artistas e poderosos

Publicado na Folha

Amadas por governantes, artistas e milionários, elas inspiraram quadros, poemas e até a construção de impérios com seu charme, inteligência e beleza. No entanto, por sua condição “não-oficial”, nunca tiveram seu devido lugar história, a não ser por meio de fofocas, colunistas sociais e informações de bastidores.

Conheça as mulheres que fizeram a cabeça de artistas e poderosos

Entre elas estão Eva Braun, amante do líder nazista Adolph Hitler, Madame de Montespan, cortesã do rei Luís 14, Lola Montez, uma das paixões do escritor Alexandre Dumas, Marion Davies, atriz que se relacionou com o magnata da comunicação William Randolph Hearst –fonte de inspiração de“Cidadão Kane” — e Emma Hamilton, que, entre muitos homens, encantou o escritor alemão Goethe.O escritor Leigh Eduardo corrige essa falha no livro“Amantes”. Na publicação, o autor conta como foram as vidas cheias de intrigas e escândalos de algumas destas mulheres que, por vezes, chegaram a influenciar toda a trajetória da cultura ocidental com suas presenças.

Algumas destas mulheres eram tão atraentes e possuíam uma aura tão poderosa, que conquistaram a admiração de praticamente toda a geração de intelectuais e personagens importantes que frequentaram as cenas das quais fizeram parte.

Leia trecho do capítulo sobre Lola Montez.

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Lola Montez
A aventureira e seu chicote

“Ela é fatal para qualquer homem que ousar amá-la.”
Alexandre Dumas, pai

Do deque superior do navio a vapor Humboldt, recém chegado a Nova York, Lola Montez assistia ao desembarque dos demais passageiros. De um grupo de repórteres no cais explodiu a exclamação de reconhecimento: “Lola veio!”

A declaração anunciava a chegada de uma das mulheres mais intrigantes e de quem mais se falava em meados do século XIX. Nos meses seguintes, “Lola veio!” passaria a significar grandes problemas e mesmo perigo. A imprevisibilidade escandalosa da conhecida aventureira dançou por seus caminhos nos Estados Unidos. As histórias de sua famosa beleza a precediam; os retratos e relatos de seu tempo mostram-na de fato extraordinariamente bela, com cabelos negros abundantes enquadrando sua pele clara e dourada, cintura fina e busto voluptuoso, além de generosos lábios vermelhos equilibrando a composição com seus olhos azuis magnéticos e particularmente instigantes. Combinando “a esperteza de taverna com a pose de uma duquesa”, Lola não era facilmente esquecida.

Uma mentirosa inveterada, seu maior engodo talvez tenha sido a reinvenção de si mesma, quando voltou da Índia no inverno de 1841, fugindo de um casamento sem amor e de uma mãe ambiciosa para quem ela era um fardo. A reinvenção não mudaria penas seu nome, mas também seu destino.

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