Publicado originalmente na Veja

Em ‘Dinos do Brasil’, Luiz Eduardo Anelli, professor e pesquisador do Instituto de Geociências da USP, detalha as características mais interessantes dos dinossauros brasileiros e as curiosidades de cada um

Oxalaia, o maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil - e ainda desconhecido dos brasileiros

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Dinos do Brasil (Editora Peirópolis, 84 páginas, 49 reais), de Luiz Eduardo Anelli, professor e pesquisador do Instituto de de Geociências da USP, é um livro claramente voltado para crianças e adolescentes: textos leves e enxutos, muitas figuras (feitas pelo paleoartista Felipe Alves Elias) e conceitos explicados de maneira simples. É precipitado, porém, descartá-lo como leitura de adultos. Só quem for capaz de citar o nome de pelo menos um dinossauro brasileiro pode esnobar a obra.

“Tanto faz se as minhas palestras são para crianças do primário ou universitários estudantes de biologia”, conta Anelli. “Quando peço para mencionarem o nome de algum dinossauro, as respostas são sempre as mesmas: tiranossauro, tricerátops, brontossauro… Nenhum brasileiro.” De fato, qualquer criança está mais familiarizada com Tiranossauros rex do que o genuinamente brasileiro e mineiro Tapuiassauro, batizado em homenagem aos índios tapuias.

São 23 os dinossauros brasileiros conhecidos, ou seja, cujos fósseis foram encontrados em território nacional e a partir dos quais foi possível estabelecer a qual espécie pertenciam. Nossos vizinhos argentinos tem cerca de 120 espécies.

A diferença deve-se, segundo Anelli, a uma mudança na configuração do planeta, por volta de 145 milhões de anos atrás, no período Cretáceo. Antes dessa época, o Brasil tinha um clima semiárido e era bastante seco. A Argentina, por sua vez, era cheia de florestas e cortada por rios. No Cretáceo, isso se inverteu.

Como resultado, os fósseis dos dinossauros argentinos ficaram expostos em rochas de fácil acesso aos paleontólogos. No Brasil, os vestígios foram encobertos por florestas e sedimentos. Enquanto na Argentina é quase certo achar algo nas montanhas, aqui os cientistas mal sabem por onde começar a procura. “Não é à toa que a maioria dos dinossauros brasileiros foram encontrados ao acaso, por pessoas comuns”, afirma.

No livro, Anelli conta, por exemplo, a história por trás do nome do Irritator, uma vítima das mãos leigas. O dinossauro foi batizado assim porque os trabalhadores da pedreira onde ele foi encontrado, no Ceará, mudaram o formato dos ossos para deixá-los mais bonitos. Isso quase arruinou todo o trabalho dos paleontólogos.

Os achados brasileiros, porém, são muito importantes. “Temos algumas das espécies de dinossauros mais antigos do mundo, do período Triássico (entre 245 e 199 milhões de anos atrás). No resto do mundo, são encontrados mais dinossauros do período Cretáceo. Podemos dizer que temos as primeiras páginas dessa história colossal.”

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