Texto de Anna Virgínia Balloussier publicado originalmente na Folha Online

É duro ser Maitê Proença editora. “Fiquei uma semana aleijada, de cócoras, apaixonada por tudo aquilo. No dia seguinte, não tinha perna!”

“Tudo aquilo” eram vários textos espalhados pelo chão do sítio da atriz, na região serrana do Rio. Os temas iam da amizade à escatologia.

Maitê não pode dizer que não sabia onde se metia quando idealizou o livro “É Duro Ser Cabra na Etiópia”. A ideia prometia dar trabalho: receber de internautas “crônicas, frases, ideias” de humor com até 1.500 toques.

Agora, cabe a Maitê fazer a curadoria do material -foram mais de 500 colaborações enviadas para o site dela (www.maite.com.br), e a porteira continua aberta.

Do mar de anônimos, flutuam uma ou outra figura mais ilustre. Carlos Heitor Cony reflete sobre um e-mail “provando que cada cigarro rouba 11 minutos da vida do fumante”. “Estou morto há tanto tempo e não sabia?”

Paula Giolito/Folhapress
Maitê Proença
Maitê Proença

Já Mário Prata pôs lá um trecho sobre a Etiópia como berço do café, “pela transcrição literal da Wikipedia”.

Ainda sem editora, o livro será uma ode ao humor nonsense, explica a atriz, que tem duas obras de ficção e uma peça teatral na bagagem.

E Maitê já adianta: o sinal vai fechar para quem “quer mostrar serviço, usar palavreado que parece um juiz de direito dos anos 60”. Nesses casos, ela mesma pode cortar o barato do colaborador. “No meio [do texto] eu boto: ‘Psiu!’. Ou falo só ‘piu piu’, sei lá, qualquer coisa.”

A própria escolha do título mostra a inclinação para o nonsense. Aconteceu assim: no meio do ano, Maitê foi assistir a “um grupo português que veio com uma proposta de improvisação total”. Pois, no meio do espetáculo, a atriz também falou o que lhe deu na telha: a dureza que é ser uma cabra na Etiópia.

Ela viu que a frase “tava dando samba” e pariu, então, o projeto do livro em parceria com o povo da internet.

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