Publicado originalmente no Correio da Manhã

João Ricardo Pedro, de 38 anos

João Ricardo Pedro, de 38 anos

Um dia depois de ficar desempregado, em 2009, João Ricardo Pedro sentou-se à secretária e escreveu ‘OTeu Rosto Será o Último’, livro que venceu, esta terça-feira, por maioria, o prémio literário Leya, no valor pecuniário de cem mil euros. O dinheiro já tem destino: o engenheiro electrotécnico diz que servirá para o conserto “das janelas lá de casa, que deixam entrar a chuva”. Quanto ao futuro, não arrisca.

“Não sei se Portugal ganhou mais um escritor, sei apenas que hoje começo a escrever o meu segundo livro”, afirma, ele que até 2009 nunca tinha escrito uma linha. “Quando comecei a escrever, fi-lo sem ideias preconcebidas, mas sempre tive a sensação, desde miúdo, de que conseguiria escrever”, diz.

“Os meus filhos, que são pequenos, achavam que o pai não fazia nada e os meus amigos achavam que eu tinha enlouquecido…”

Mas não enlouqueceu. Em vez disso, o lisboeta de 38 anos ganhou o prémio literário mais cobiçado do País e foi considerado o melhor de entre 162 candidatos por nomes como Manuel Alegre, Pepetela ou Nuno Júdice. “É uma alegria e um orgulho”, admite.

Em ‘O Teu Rosto será o Último’, o júri – que integra ainda José Carlos Seabra Pereira, Lourenço do Rosário e Rita Chaves – encontrou uma “composição delicada de histórias autónomas, que se traçam em fios secretos”. João Ricardo Pedro admite que são histórias que retratam a sua vida e as dos seus amigos.

“Claro que o livro é autobiográfico e quem o ler vai ficar a saber mais sobre mim”, adianta. “Aliás, houve momentos em que tive receio de ultrapassar algum limite e que as pessoas mais próximas se sentissem demasiado identificadas com algumas partes do livro. Fiz cortes por causa disso.”

Nos últimos dois anos – o tempo em que esteve a trabalhar neste seu livro – João Ricardo Pedro diz que sobreviveu das explicações de matemática e com a ajuda da mulher, que “o obrigava a escrever uma página por dia”. “Mesmo que depois a deitasse para o lixo…”

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