Publicado originalmente na Folha

Tiragens em alta, novos autores surgindo, veteranos publicando, lançamentos que não param.

O panorama atual da literatura infantil no país exibe um quadro de grande vigor, num momento em que, cada vez mais, os livros têm que disputar a atenção das crianças com games e a internet.

Dados da CBL (Câmara Brasileira do Livro) e do Snel (Sindicato Nacional dos Editores e Livros) revelam que o número de exemplares de títulos infantis produzidos no país cresceu 87% entre 2005 e 2010, saltando de 14,2 milhões para 26,5 milhões.

No mesmo período, o total de livros produzidos de todos os gêneros subiu “só” 60%. Os dados sobre vendas não estão disponíveis porque a pesquisa da Fipe para a CBL e o Snel não distingue os livros infantis dentro da categoria “obras gerais”.

Para as editoras, que esperam lucrar com o Dia da Criança, fatores como a melhoria da qualidade das publicações, o interesse maior dos pais em investir na educação dos filhos e a expansão da economia brasileira explicam o crescimento da literatura infantil no país.

“É um mercado em ebulição”, diz Miriam Gabbai, diretora da Callis, especializada no ramo. Segundo ela, as vendas da editora cresceram, até agosto, mais de 20% sobre o total do ano passado.

Para Karine Pansa, presidente da CBL, “a sensação é a de que esse mercado está crescendo pela preocupação maior dos pais com o aprendizado das crianças”.

Sua editora, a Girassol Brasil, lançou este ano 120 coleções de livros infantis, com no mínimo quatro títulos cada uma. Publicou também seus dois primeiros livros de autores nacionais. Até dezembro serão mais dois, e em 2012, ao menos mais quatro.

No caso da Companhia das Letrinhas, foram 234 títulos infantis lançados desde 2006.

Editora da Letrinhas, Júlia Schwarcz credita a explosão do setor sobretudo às compras governamentais. “São 40 mil exemplares de cada título. Para o Brasil, é muito.”

Ela destaca ainda a qualidade gráfica dos livros infantis. “Hoje muitas editoras fazem produtos bonitos.”

Também para Isabel Coelho, editora de títulos infantis e infantojuvenis da Cosac Naify, a melhoria da qualidade das edições é crucial. “E livro infantil é um laboratório de experimentações”, diz.

Nessa área, a Cosac tem investido em novos autores, como os ex-atletas Raí e Gustavo Borges. “Por meio da literatura, a gente fala da prática de esportes e pode fazer o mesmo com outros temas”, afirma Isabel Coelho.

LIVROS ELETRÔNICOS

Embora o mundo eletrônico e virtual já ocupe grande parte do tempo das crianças, o investimento em plataformas diferentes do livro infantil tradicional ainda engatinha entre as editoras.

Na Cosac Naify, isso ainda é feito “muito timidamente”, segundo a editora Isabel Coelho. “Muita coisa vem sendo lançada por aí em e-books ainda sem uma identidade definida. Preferimos desenvolver melhor antes”, afirma.

A primeira incursão da editora nesse universo, ainda sem data prevista de lançamento, é uma versão “light” para iPod de “A Turma do Infinito”, do ex-jogador Raí. “Em e-books ainda estamos tateando”, diz Coelho.

No caso da Companhia das Letrinhas, a única experiência até agora foi um aplicativo para iPad, lançado em agosto, do livro “Quem Soltou o Pum?”, de Blandina Franco. No momento, nada mais está programado nessa área, afirma Júlia Schwarcz, editora da Letrinhas.

“Ainda é caro desenvolver esses produtos”, diz. “Se não for para iPad, a ilustração perde muito em qualidade.” Nos livros adultos, segundo Júlia, a Companhia das Letras já lançou mais de cem títulos em livros eletrônicos.

Já a Callis lançou em setembro 17 títulos em e-pubs, um padrão aberto para e-books que permite a leitura em qualquer tipo e tamanho de tela. A editora também prepara aplicativos para leitura em iPod. “Mas esse mercado é muito incipiente no Brasil”, reconhece a diretora Miriam Gabbai.

Fonte: Folha Ilustrada

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments