Texto escrito por Leandro de Assis em Brasil Wiki!

Quando pensei em ser um escritor tinha apenas 16 anos, gostava de ler os livros de Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo e outros clássicos da nossa literatura. Também lia suas biografias e a de autores estrangeiros consagrados e achava que sabia das dificuldades que teria pela frente com a minha decisão de ser escritor.

Hoje, com dois livros de poesia lançados de forma independente e participação em várias antologias percebo que o caminho é muito mais complicado do que eu pensava. Ainda aos 16 anos comecei a escrever um romance, cheguei a escrever trinta páginas no meu caderno da escola e depois parei devido a alguns questionamentos comuns a todo iniciante:

Como publicar um livro? Como procurar uma editora? Como enviar os originais? E se roubarem meus textos? Como as editoras trabalham? Eu tenho que pagar tudo ou a editora que paga os custos? Como o livro chega numa livraria? Quem me paga é a editora ou a livraria? Como fazer o lançamento? E se eu tiver que pagar, quanto deve custar? E outras inúmeras dúvidas que um novo autor tem.

Atualmente, é fácil ter respostas a essas perguntas, a internet está cheia de artigos respondendo a todas elas, mas em 1998, não existia tanta facilidade como nos dias atuais para acessar a rede, então desanimei e parei de escrever o romance, passando a escrever uma vez por outra uma poesia, uma peça de teatro para escola ou fazer paródia com músicas conhecidas para curtir com amigos.

Em 2007, as coisas começaram a mudar, foi quando participei de um concurso de poesias chamado “Poemas que Falam”, realizado pelo escritor Valdeck Almeida de Jesus em seu stand na Bienal do Livro da Bahia e fui um dos vencedores, tendo meu poema publicado no livro que levou o nome do concurso. Depois disso, entrei em contato com o organizador e disse que tinha vários poemas e que gostaria de publicá-los e o mesmo me deu todo apoio necessário.

Com a primeira edição, do meu primeiro livro na editora, eu imaginava que minha vida ia mudar, pois agora e u era um escritor com livro publicado (autor), não imaginava que após vencer os primeiros desafios, os próximos seriam tão desafiadores. Quando o livro chegou não sabia o que fazer com ele em mãos, não tinha ideia de como fazer um lançamento de um livro, então não fiz.

Mostrei o livro para alguns colegas da empresa onde trabalhava e comecei a vender o livro para os amigos de lá mesmo, fiquei animadíssimo, pois quase todos compraram. Como era meu primeiro livro e feito de forma independente, eu pedi poucas cópias, não tinha como bancar os custos para uma tiragem maior e em duas semanas vendi todos. Depois disso passei a publicar em meu blog e em sites especializados.

Em 2009, tive a ideia de criar o projeto Fala Escritor e convidei o mesmo Valdeck Almeida de Jesus – que me ajudara a publicar meu primeiro livro – e outros escritores que conheci através de comunidades na internet e também amigos de Valdeck. Logo estaria publicando meu segundo livro e esperava o maior sucesso com ele, coisa que não aconteceu, apesar de eu considerá-lo muito melhor que o primeiro.

Lancei o segundo livro no próprio Fala Escritor, no dia 14 de novembro de 2009, na MegaStore Saraiva Salvador Shopping, com o espaço de eventos lotado, porém das mais de cinqüenta pessoas presentes, apenas quatro compraram o livro, outros 3 foram vendidos no dia seguinte, totalizando sete livros vendidos por conta do lançamento, fiquei super abatido por um lado e feliz por outro, pois era a quarta edição do Fala Escritor com lotação máxima do Espaço Castro Alves da Saraiva.

Outra coisa que me deixou abatido foi à ausência dos amigos clássicos no lançamento, muitos confirmaram presença, porém quase todos deram boas desculpas após ausência. Então parti para a venda boca a boca com colegas de trabalho e amigos, como é comum os colegas de trabalho são bons pagadores, já os amigos clássicos…

O que chamo aqui de amigos clássicos, são aquelas pessoas que nos relacionamos a vários anos, aqueles que apesar de não mais serem do mesmo trabalho, escola, faculdade, rua, etc., mantém um laço afetivo, encontros periódicos, telefonemas e outras formas de contato e comunicação comigo e até aqueles que vemos vez por outra mas mantemos a intimidade de sempre.

Muitos novos autores se deparam com uma situação inusitada com esses amigos, eles querem ganhar o teu livro e não só querem como espera que você ofereça o livro autografado para ele. Para esses amigos é uma ofensa ter que comprar teu livro e você tem que convencê-lo que não é bem assim, pois temos muitos amigos, apesar de cada um se sentir o amigo.

Com isso, aconteceu que alguns amigos que compraram meu livro para depois darem um retorno se ofenderam quando perguntei pelo retorno e levaram na brincadeira a cobrança, não aceitava aquela situação e nunca mais cobrei, preferi manter a amizade que ganhar alguns trocados. Porém, com isso, eu que já estava desanimado com as vendas no lançamento, fiquei muito mais com essa situação e resolvi que não venderia mais meu livro.

Mas o que fazer com monte de livro na estante de casa? Então pensei: “Já que muita gente vai querer de graça e vou acabar me aborrecendo, vou dar meus livros para pessoas que forem abrindo portas para mim e assim eu fiz, dando livro para várias pessoas de 2009 até aqui, algumas que eu acabara de conhecer, outras que elogiaram uma poesia que fiz ou meu blog, alunos, ex-alunos, aniversariantes e outros escritores.

Em 2010, publiquei outro livro, juntamente com os outros organizadores do Fala Escritor. Nesta semana fui à livraria consultar as vendas e, para minha surpresa, só restam 03 unidades. Fiquei muito feliz com as vendas, pois o valor a receber será investido no Fala Escritor, pois o projeto já está caminhando para a 28ª edição, em dois anos e dois meses de atividade e não conta com patrocinadores.

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