Publicado originalmente no Exame

A atriz americana deixou registros de suas reflexões e pensamentos, que, agora, estão reunidos em livro

A atriz Marilyn Monroe na clássica cena do filme "O Pecado mora ao lado", de Billy Wilder

São Paulo – Por trás do símbolo sexual chamado Marilyn Monroe havia uma aspirante a escritora. Leitora voraz, inclusive de autores consagrados como James Joyce, Gustave Flaubert e Ernest Hemingway, Norma Jeane Mortenson (seu nome verdadeiro) registrava seus pensamentos, cartas, poemas e confissões em diários e folhas soltas.

Esse material, peneirado e organizado por Bernard Comment e Stanley Buchtahl, resultou no livro “Fragmentos – Poemas, anotações íntimas e cartas de Marilyn Monroe” (Tordesilhas), lançado recentemente no Brasil. Apesar da imagem cultivada pelos meios de comunicação de uma mulher alegre e sensual, os escritos mostram alguém melancólico, dúbio e confuso, mas sempre em busca da verdade.

Segundo Bernard Comment, durante a organização do livro, foi possível perceber que ela tinha problemas de escrita, mas, ao longo do tempo, sua habilidade com as palavras melhorou. “Marilyn era provavelmente disléxica e não dominava a ortografia. Às vezes havia a transcrição fonética de certas palavras e, às vezes, demorava muito tempo para adivinhar o significado de uma palavra ou frase”, afirma.

Na época em que ainda era viva, ela mostrou alguns de seus textos apenas para amigos muito íntimos, já que aquilo era uma válvula de escape de seus sentimentos. Após sua morte, em 1962, tudo que escreveu foi deixado para o amigo Lee Strasberg. Quando ele morreu, em 1982, a herança parou nas mãos de Anna Strasberg, sua esposa, que buscou os organizadores para ajudá-la a dar um destino ao material.

Confira a seguir algumas frases e poemas que o livro “Fragmentos” revela.

“Vida –
Eu sou de ambas as suas direções
De alguma forma permanecendo de cabeça para baixo
na maior parte
mas forte como uma teia de aranha no
vento – eu existo mais com a geada fria e cintilante.
Mas os meus raios borbulhantes têm as cores que
vi nas pinturas – ah vida eles
traíram você”

“Sozinha!!!!
Eu estou sozinha. Eu estou sempre
sozinha
não importa o que aconteça.”

“Não existe nada a temer
exceto o próprio medo.”

“É melhor conhecer a realidade ou
as coisas como são
que não conhecer
e é bom ter o mínimo
possível de ilusões”

“Estou descobrindo que sinceridade e tentar ser tão simples ou direta quanto (possível) como gostaria é geralmente considerado pura estupidez mas já que não é um mundo sincero – é muito provável que ser sincera seja estúpido”.

“Creio que sempre fui
profundamente aterrorizada em de ser a esposa
de alguém
porque sei desde sempre
um não consegue amar outro,
nunca, realmente”.

“Onde os olhos dele descansam com prazer –
quero ainda ser – mas os tempos mudaram
a força desse olhar.
Oh céus como suportarei quando estiver
ainda menos jovem -”

“Após um ano de análise
Socorro, socorro.
Socorro.
Sinto que a vida está chegando mais perto
quando tudo o que quero
É morrer.
Grito –
Você começou e terminou no ar
mas onde estava o meio?”

“Para a vida
É uma determinação e tanto não me sentir sufocada”.

“A boca me torna a mais triste, ao lado dos olhos mortos. Há uma linha escura entre os lábios no contorno de várias ondas de brisa numa tempestade turbulenta – ela diz não me beije, não me engane sou uma dançarina que não sabe dançar”.

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