Publicado originalmente no The Wall Street Journal

Num sinal de que as principais editoras de livros estão finalmente reconhecendo o potencial do setor de edição autônoma de livros digitais, o Penguin Group (USA) lançou na quarta-feira um serviço para ajudar escritores a publicar seus próprios livros.

Por uma taxa entre US$ 99 e US$ 549, mais um porcentual das receitas obtidas com eventuais vendas, uma subsidiária da Penguin chamada Book Country vai oferecer uma série de ferramentas – desde um conversor profissional para o formato e-book até programa para criar capas – para ajudar um escritor a deixar seu trabalho disponível em lojas de livros digitais e serviços de impressão sob demanda.

O negócio da auto-edição pode ajudar a Penguin a descobrir novos escritores, ao mesmo tempo em que cria um canal de receitas adicional.

A Penguin Group (USA) vem investindo “um substancial montante de dinheiro” em tecnologia para lançar o novo serviço”, diz o diretor-presidente David Shanks. “Se algum desses livros chegar à lista de best sellers, o serviço pode ser muito bem-sucedido.”

A Penguin poderia oferecer aos escritores mais bem-sucedidos na auto-edição contratos para serem publicados do modo tradicional caso eles desejem, acrescentou.

Por outro lado, o negócio de edição tradicional da Penguin não pretende atrair autores que a editora tenha rejeitado no negócio de auto-edição. Molly Barton, diretora global para a área digital da Penguin, disse que “não seria apropriado sugerir um caminho que envolvesse comissões” a um autor cujo original tenha sido rejeitado” pela Book Country.

Turbinado pelo aparecimento de e-readers e pela crescente popularidade dos e-books, o número de títulos auto-editados nos Estados Unidos triplicou para 133.036 em 2010, ante 51.237 em 2006, segundo a corretora R.R. Bowker LLC, que acompanha o setor de editoras.

E enquanto muitos ainda vendem poucos exemplares, a edição por conta própria pode ser extremamente lucrativa para outros. Amanda Hocking, autora de livros para jovens adultos, juntou-se neste mês ao Kindle Million Club, da Amazon.com Inc., por ter atingido vendas de mais de um milhão de cópias digitais de seus livros. Ela fechou um negócio com a editora St. Martin´s Press para republicar sua trilogia “Trylle”, em papel e meio digital, mais um quarteto de novos títulos a serem pulicados posteriormente.

Muitas empresas já atendem escritores de autônomos, incluindo as distribuidoras de e-books Smashwords Inc., Amazon.com e Barnes & Noble Inc.

A Penguin está usando o Book Country, um website especializado no gênero ficção, como base para seu novo serviço. Escritores já publicam originais no site, especializado em romances, fantasia, ficção cientifica, terror e mistério. Usuários comentam os manuscritos, e oferecem conselhos sobre a edição.

A Penguin diz que a Book Country, lançada em abril, já atraiu ao redor de 4.000 participantes, que publicaram aproximadamente 500 originais, alguns acabados, outros não – e pelo menos três desses autores já encontraram agentes para os representarem.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments