Publicado originalmente na Folha.com

No mês de setembro, padre Marcelo Rossi foi derrotado por um banana.

O livro “Ágape”, de autoria do religioso, saiu do topo da lista dos mais vendidos da Publishnews, site que monitora as vendas nas principais livrarias do país, para dar lugar ao título infantojuvenil “Diário de um Banana – A Verdade Nua e Crua”.

O livro é o quinto volume da série criada pelo norte-americano Jeff Kinney, 40, que já vendeu mais de 40 milhões de exemplares e tornou-se febre no Brasil.

Aqui, a venda dos cinco volumes da série atingiu a marca de 750 mil exemplares.

E pensar que nem mesmo o autor estava otimista com o livro: sem conseguir emplacar a história nos EUA, Kinney publicou o primeiro volume integralmente na internet.

Catarina Coutinho, 9, lendo um dos títulos da série 'Diário de um Banana'

O alto número de acessos foi o suficiente para ele ganhar um contrato e ter a primeira edição publicada.

Designer de games, Kinney é responsável também pelos traços simples dos personagens. A sensação é de que qualquer criança é capaz de repetir os desenhos do livro.

Escrito em formato de diário, a série narra as desventuras de Greg Hiffley, garoto um tanto banana que precisa lidar com fortões na escola e com a implicância do irmão mais velho em casa.

O menino conta suas aventuras: como conseguiu enganar o pai após receber ordens para fazer exercícios (dá uma volta no quarteirão e apareceu ofegante em casa, após jogar videogame com amigo).

Na semana passada, o sexto volume da série foi lançado nos EUA com tiragem de 6 milhões de exemplares e deve chegar ao Brasil em 2012.

Professor do departamento de Teorias Literárias da UnB (Universidade de Brasília), Robson Coelho reconhece ser importante estimular o hábito da leitura entre os mais novos, mas ressalta a necessidade de despertar seu interesse “por obras um pouco mais complexas”.

É o que tenta o pai de Catarina Coutinho, 9. A menina já leu dois livros da série, mas também é estimulada a ler títulos de autores clássicos.

“Monteiro Lobato não é engraçado. Esse aqui é hilariante”, compara Catarina. Ela afirma que o livro “ensina a gente a crescer”. “Porque eu não quero ser uma banana.”

O autor também está longe de ser um: as aventuras de Greg colocaram Jeff Kinney na lista dos dez autores mais bem pagos do mundo nos últimos dois anos, de acordo com a revista “Forbes”.

Estima-se que ele tenha amealhado U$17 milhões com a publicação dos livros e as duas versões para o cinema.

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