Publicado originalmente no Autores e Livros
Há muito não lia textos de Roman Jakobson. Durante a graduação em Letras, era um autor muito em foco nos cursos de Teoria da Literatura. Seu livro Linguística e comunicação era leitura obrigatória. Quase todos os alunos traziam consigo, em algum momento da graduação, essa famosa edição, publicada sob a chancela da Cultrix – editora, por sinal, também indispensável nos anos 1990. Agora, com A geração que esbanjou seus poetas, lançado em 2006 pela Cosac & Naify, com tradução e posfácio de Sonia Regina Martins Gonçalves, volto a sentir a inteligência e sensibilidade de Jakobson e lamento ter ficado tanto tempo longe de seus textos. Se não bastasse sua leitura aguda dos poemas de Maikóvski, existem ainda as lembranças do próprio Jakobson, que conviveu com o poeta. Há análises como esta: “Maiakóvski podia, abstratamente, levar em consideração a missão criadora ‘dos bebês do coletivo’ em sua luta interminável contra o velho, mas ele mesmo estremecia quando entrava correndo na sala uma criança de carne e osso. Maiakóvski não reconhece na criança concreta o seu próprio mito do futuro. Para ele, não passa de um novo filhote multifacetado do inimigo.” (p. 34). É bonito sobretudo ler as páginas em que Jakobson analisa a ideia de Maiakóvski de que os poetas são aqueles que adiantam e apressam o tempo. Os poetas são os fortes, que “se adiantam a ponto de puxar o tempo que ultrapassaram”.

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