Publicado originalmente na Folha.com

Após o Dia D, que celebrou Carlos Drummond de Andrade no 31 de outubro, e de um anunciado Dia C para Clarice Lispector no dia 9 deste mês, será a hora e a vez de Guimarães Rosa ter o seu Dia G –provavelmente na data de seu nascimento, em 27 de junho, a partir do ano que vem.

O revival do autor mineiro –clássico brasileiro que, a bem da verdade, nunca sai dos holofotes– começou em agosto, quando a Nova Fronteira lançou seus contos de aprendiz, escritos em estilo distinto do que o consagrou.

“Antes das Primeiras Estórias” reuniu narrativas de horror e fantasia à Edgar Allan Poe criadas na década de 1920 por um então estudante de medicina que se exercitava à exaustão para encontrar sua voz autoral.

Fotografia da viagem de Guimarães Rosa pelo sertão mineiro

Agora, em parceria com a Livraria Saraiva, é publicada uma edição especial de “Grande Sertão: Veredas” que inclui pela primeira vez “A Boiada”, anotações que Rosa fez em cadernetas durante as viagens pelo sertão.

Foi ver de perto bois e buritis na comitiva de Manoel Nardy –que virou o seu Manuelzão. A caixa inclui um volume de fortuna crítica.

Objeto de mestrados e doutorados mundo afora, esse material só podia ser encontrado e lido no acervo do autor no Instituto de Estudos Brasileiros, o IEB, da USP.

“Nosso compromisso agora é deixar o autor sempre vivo, celebrá-lo de todas as formas”, diz Leila Name, diretora editorial da Nova Fronteira.

Um volume de ficção inédita e outro com ensaios estão sendo preparados para sair em 2012. Os lançamentos vão até 2017, quando se completam 50 anos de morte de Rosa.

Fred Indiani, diretor editorial da Livraria Saraiva, explica a escolha de “Grande Sertão: Veredas”: “É um livro simbólico. Consideramos que deve ser sempre revisitado”.

“A Boiada”, avalia Indiani, confere ao livro uma nova dimensão, uma nova leitura. “É um documento precioso para o entendimento da construção de uma grande obra literária, um documento que revela o esforço e o trabalho que estão envolvidos na construção de um autor.”

TRADUÇÕES

Uma nova tradução de Guimarães Rosa para o alemão já está em curso e o desafio agora é encontrar quem possa vertê-lo para o inglês, como explica Eduardo Tess, um dos seus herdeiros.

Nos dois idiomas, Rosa tem traduções realizadas há mais de quatro décadas, quando ainda estava vivo.

A pergunta é das mais capciosas, em se tratando de um autor de linguagem tão original: quando ficam prontas?

“Seria ótimo se desse tempo para 2013, quando o Brasil é homenageado em Frankfurt, mas é o tipo da tarefa que não se deve jamais apressar”, argumenta Tess.

Na próxima semana, ele se encontra em São Paulo com Berthold Zilly, tradutor de “Os Sertões” na Alemanha, o homem dessa missão.

Nos últimos cinco anos, vários possíveis tradutores para o inglês foram testados, alguns desistiram, outros não passaram nos testes.

“Grandes especialistas não conseguiram uma solução que resguardasse a musicalidade”, conta Tess.
O teste? Como traduzir para o inglês “Nonada”?

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