Publicado originalmente na SEGS

A mesma pergunta se repete ano após ano. Se dá livros de presente em ocasiões como o Natal? E a resposta também que se repete: Sim, e muito. Cabe nessas linhas analisar com grande isenção, até com alguma frieza, este saudável hábito de se presentear com livros.

Um livro aproxima as pessoas. Quando alguém arrisca pensar no alinhamento entre o conteúdo da obra e o do presenteado, é um passo de comunhão. A gente nota na hora da abertura do pacote, nas feições expressadas pelo futuro leitor.

Alguns livros raramente são dados de presente. Difícil lembrar de embrulhar o “Minha Luta”, de Hitler, por exemplo. A crônica, o humor e os romances são os campeões de bilheteria.

Muitos outros pontos são favoráveis para se lembrar do presente-livro. Eles não apertam o joanete, vestem que é uma beleza, até para quem ganhou uns quilinhos e só usa preto ultimamente. Uma cor cítrica na capa não assusta, como aquela camisa de cor berrante que você deu no último amigo-secreto, lembra?

É delicado presentear com perfume: as influências de clima e temperamento dificultam a escolha. Se o lugar é quente, mais vai um adocicado; se é frio, amadeirado, ou vice-versa.

Também tem aquele primo que só é visto nas festas de fim de ano, o chamado primo-longe. Para os não tão chegados, sempre é recomendável um Verissimo. Suas crônicas ou romances não têm contra indicação, é tiro e queda. Ao seu lado desponta a também gaúcha Martha Medeiros, lida em massa por mulheres de todo o país.

E também tem os livros da moda, os livros-febre. Biografias de personalidades, como a do Steve Jobs. Os vampiros adolescentes e os livros nascidos de série de TV.

Vale lembrar quando damos ou ganhamos um livro comprado em alguma viagem, dentro ou fora do Brasil. Uma vez comprei uns cartuns do Quino, em Buenos Aires. Quando pego esse livro em mãos naturalmente me voltam aqueles dias especiais que tive na companhia da família.

Os autografados também são especiais. Imagina ganhar um livro assinado pelo próprio autor. Valem também livros usados, adquiridos em sebos, com anotações nos rodapés.

E a generosidade de quando emprestamos um livro? Não vejo outro artigo que seja tão emprestado e se multiplique tanto como um livro, que renda tanto em tantas mãos diferentes.

Por fim, para os inseguros e indecisos, foi criado o vale-livro. Quando você tira o chefe num amigo-secreto, ou o amigo em questão é tão secreto que você sequer o conhece, o vale funciona como uma luva. Ainda mais se você não se deparar com um livreiro tão cheio de sugestões como esse que vos fala.

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