Telio Navega, em O Globo

Depois de quatro anos de guerra, com 35 países envolvidos, um saldo de 10 milhões de mortos. E quase quatro milhões de feridos. Os números da Primeira Guerra Mundial ainda hoje impressionam. Principalmente com as imagens do álbum “Era a guerra de trincheiras” (Nemo, PB, 128 pgs., R$ 49). Lançado na França em 1993 e nos EUA este ano, de onde saiu com dois prêmios Eisner (Melhor Trabalho Baseado em Fatos e Melhor Edição Americana de Material Estrangeiro), o livro de Jacques Tardi acaba de ganhar versão brasileira, pela editora Nemo.

A partir de relatos do avô, Tardi fez uma extensa pesquisa bibliográfica (“Adeus às armas”, de Ernest Hemingway, por exemplo) e cinematográfica (“Glória feita de sangue”, de Stanley Kubrick, entre outros) para contar pequenas grandes histórias de soldados mortos na Primeira Guerra Mundial, que aconteceu de 1914 a 1918 e é lembrada como a guerra de trincheiras.

As valas cercadas de arame farpado onde os soldados se refugiavam do exército inimigo serviam de proteção, mas também representavam perigo, principalmente quando eles eram acuados pelos inimigos. Ou quando as trincheiras inundavam, provocando afogamentos e trazendo ratos – em busca dos corpos em decomposição – e doenças.

Graças ao auxílio do documentarista Jean-Pierre Verney, o autor revela em páginas de três quadros (todos com aproximadamente 20cm x 9cm, como painéis) toda a crueza e estupidez da batalha que levou homens a se afogarem em suas trincheiras ou morrerem fuzilados tentando sair delas.

Tardi mostra o lado francês, claro, mas também experimenta o lado alemão quando coloca frente a frente dois soldados, um de cada país, presos por acaso em um porão. Ambos combinam que se entregarão ao outro ao primeiro sinal do exército inimigo. Assim, o francês poderia ser condecorado ao entregar o prisioneiro alemão. E vice-versa. Mas nem tudo sai como eles planejaram na história em quadrinhos deste álbum tocante e espetacular.

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