Publicado originalmente no Livros & Afins

Muito pode ser dito sobre escrever, como melhorar a escrita, as vantagens de escrever bem. Para a maioria das pessoas, escrever bem é uma necessidade imposta. Para outros, escrever é uma necessidade profunda. Se bem ou mal, se é para publicar ou não, são questões menores; o importante é escrever, é colocar no papel, não deixar que as palavras cozinhem dentro de si.

Um dos grandes representantes da literatura americana, Truman Capote, era um desses apaixonados. No Brasil ele não tem o reconhecimento que merece. Dele conhecemos A Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn, baseada em um dos seus contos. Os que ouviram um pouco mais sabem que ele escreveu A sangue frio, que inaugurou o gênero – é um romance policial excepcional e ao mesmo tempo um trabalho jornalístico. Da figura cultuada que frequentava as melhores festas, nos chegam ecos nas suas biografias e no filme Capote.

O que me chama atenção na vida de Capote era a certeza que ele sempre teve do seu destino ligado à escrita. Ainda criança ele tinha cadernos, onde narrava infinitas histórias, e se dedicava a lapidar cada vez mais o seu estilo. Em poucas palavras, na introdução do livro Música para Camaleões, ele resume o sentimento de todos os que amam escrever:

Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação.

Quem ama escrever não precisa ser incitado a escrever, reescrever, criticar e corrigir. Isso se faz sozinho.

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