Publicado originalmente no Estadão

Livraria Cultura, de Pedro Herz, deve crescer 20% neste ano

Há anos o presidente do Conselho Administrativo da Livraria Cultura, Pedro Herz, de 71 anos, praticamente aboliu a terceirização de serviços. Ele prefere contratar e treinar funcionários por conta própria. Do faxineiro ao arquiteto. O empresário também não tem secretária e, por isso, atende o telefone, responde e-mails e faz a reserva de passagens aéreas e hotéis nas viagens a negócios. “Ninguém conhece meus problemas como eu.”

Foi assim, de forma prática e objetiva, sem nunca perder as rédeas do negócio, que ele transformou a pequena loja de aluguel de livros criada por sua mãe, Eva Herz, em uma empresa que não para de crescer. Hoje, a maior rede do setor no País conta com 13 unidades tradicionais, três customizadas e um acervo com mais de 4,2 milhões de títulos.

Por tudo isso, a Livraria Cultura deve crescer 20% neste ano – faturou R$ 305 milhões em 2010. Durante o encontro promovido com pequenos empresários pelo Estadão PME, Pedro, que comanda a rede de livrarias desde 1969, falou sobre as estratégias para garantir o crescimento constante de uma empresa com mais de 60 anos de história.

Crescimento

Quando o assunto é o desenvolvimento da empresa, Pedro é enfático: “No Brasil ou você cresce ou você fecha.” Mesmo assim, para o empresário, 2012 será um ano difícil por conta da crise na Europa, o que deve acirrar muito a concorrência no mundo dos negócios. Mas, segundo ele, há uma fórmula para aumentar a competitividade. “Nós sempre temos de encontrar uma forma de nos diferenciar”, explica.

Outra dica mencionada pelo empresário é planejar cuidadosamente o processo de expansão. A própria Livraria Cultura enfrentou problemas quando abriu pequenas lojas em universidades e no metrô. As unidades tinham tamanho reduzido e, portanto, menos produtos, o que deixava os clientes frustrados. “O consumidor precisa encontrar na filial tudo que existe na sede, caso contrário, se decepciona”, afirma o empreendedor.

Terceirização
Experiências negativas ao longo da carreira levaram Pedro a praticamente abolir a terceirização de serviços. Até os arquitetos que desenham o interior das livrarias são funcionários da rede. Com isso, o empresário busca eliminar a falta de compromisso observada em muitos fornecedores. “Para treinar um terceirizado para fazer o que preciso gasto três vezes mais do que com um funcionário”, explica.

Sucessão familiar
Durante anos, Pedro tentou fazer os dois filhos desistirem da ideia de trabalhar na Livraria Cultura. “Um negócio como esse exige muito e eu não sabia se eles estavam preparados.” Hoje, o empreendedor permite a presença deles, mas tomou uma decisão: o formato de negócio familiar acaba justamente com os filhos. A partir desse ponto, a gestão será profissional, caminho que, segundo ele, deve ser adotado por toda empresa familiar em crescimento. “Existem ingerências inevitáveis quando se trabalha em família. A gestão profissional permite que as cobranças sejam feitas com naturalidade.”

Concorrência
Para vencer os concorrentes quando a disputa é intensa, como ocorre entre as livrarias, Pedro recomenda apostar na qualidade do serviço e do atendimento. “Muita gente acha que a única forma de ganhar mercado é reduzir o preço, mas é preciso achar outros diferenciais.” A vantagem dessa estratégia, segundo ele, é a fidelização do cliente.

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