Texto escrito por Luciene Mediato em DGABC

As prateleiras das livrarias estão repletas de ”best-sellers” como a saga ”Crepúsculo”, a trilogia ”Senhor dos Anéis”, ”Comer Rezar e Amar”, ”A Menina que Roubava Livros”, e ”O Monge e o Executivo”, que conquistaram milhões de leitores no mundo. Em meio a essa avalanche de títulos e lançamentos é comum encontrarmos clássicos da literatura esquecidos e empoeirados.

Grandes autores nacionais como Castro Alves, Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Manuel Bandeira, Mario Quintana, José de Alencar e Clarice Lispector, que, através das palavras construíram a história do romantismo e da ficção nacional – também registrando fatos históricos por meio da literatura -, são conhecidos e apreciados por poucas pessoas.

A literatura clássica, apesar de rejeitada por alguns com a justificativa de apresentar linguagem rebuscada e arcaica, se faz necessária. “O clássico é o texto que por sua originalidade força todo o sistema literário a se recompor. A própria ideia de literatura se altera – se torna outra – à luz de cada novo clássico. Uma obra só é clássica porque possui capacidade de continuar dizendo coisas novas a novos leitores independentemente do tempo e do espaço”, explica o crítico literário Eduardo Sterzi.

Um dos grandes obstáculos para que obras como ”’O Quinze”’, ”’Vidas Secas”’, ”’Dom Casmurro”’, ”’Quincas Borba”’ e ”’Iracema”’ tenham destaque no século 21 é a falta de leitores. O Brasil é um País que assumidamente não lê.
Hoje, existem dois tipos de leitores: o que lê um livro de fácil assimilação, que não exige racionalidade para entender a obra, e o leitor que prefere um livro com conteúdo filosófico, que lhe acrescente algo e o faz refletir. Esse segundo tipo é o raro.

Esse fenômeno não é fruto da contemporaneidade e dos ””best-sellers”” vazios de conteúdo. “Se olharmos para o século 19, já era impressionante a quantidade de besteira que se publicava. Isso vem da formação de um público de massa para a literatura, o que antes nunca houve – e o que, com as facilidades sempre maiores trazidas pela tecnologia, só tende a aumentar”, afirma Sterzi.

TEMPO
Outra justificativa para o ostracismo da literatura clássica brasileira é a falta de tempo. Para o crítico o que existe é a sensação de falta de tempo. “A literatura está no meio de uma competição dura com diversas outras atividades e distrações, o que só se ampliou com a internet (mas havia antes o cinema, o rádio, a televisão). Não dá para levar a sério quem reclama de falta de tempo para a literatura mas tem tempo para o Facebook.”

Mas a internet não é a grande inimiga dos livros. Ela é uma fantástica biblioteca, que permite acesso à imensa maioria, se não à totalidade, dos clássicos da nossa e de outras literaturas. Para os estudiosos, é também uma conquista excepcional: não só os textos estão disponíveis, com mecanismos de busca que facilitam a pesquisa e o acesso a manuscritos e acervos digitalizados.

INOVAÇÃO
Seguindo a onda que começou nos Estados Unidos com o lançamento de ”Orgulho, Preconceito e Zumbis”, versão com mortos-vivos do clássico de Jane Austin escrito por Seth Grahame-Smith, e ”Razão, Sensibilidade e os Monstros Marinhos”, de Ben H. Winter, a Editora LeYa, através do selo Lua de Papel, lançou quatro ”mashups” nacionais, misturando mortos-vivos, vampiros, bruxas e criaturas alienígenas às letras tradicionais de romancistas do porte de Machado de Assis e José de Alencar. Uma boa dica para que os jovens se apaixonem – e se habituem – pelos clássicos.

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