Capital argentina tem uma livraria para cada 6.000 habitantes, muitas bastante charmosas e tradicionais

Adriana Marcolini no Opera Mundi

Alejandro Lipszyc

Até abril de 2012, Buenos Aires é reconhecida pela Unesco com Capital Mundial do Livro; tradição de livrarias remete ao séc. XVIII
Elas estão espalhadas por todos os bairros. Existem as grandes redes, como a El Ateneo. As médias, as pequenas ou até minúsculas. As gerais ou especializadas. As de viejo, equivalentes aos nossos sebos. As de saldo, que só vendem títulos esgotados ou fora de catálogo. E as antiquárias. Essas senhoras charmosas são as livrarias argentinas, uma das marcas registradas de Buenos Aires. São cerca de 370 – uma para cada 6.000 habitantes.
Até abril de 2012, a capital argentina e suas livrarias vivem um momento especial: a cidade foi escolhida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultur) como a Capital Mundial do Livro. O título é o reconhecimento a uma tradição livreira que remonta a 1780. Naquele ano, o vice-rei espanhol Juan José de Vértiz y Salcedo, no comando do vice-reino do Rio da Prata, fundou em Buenos Aires a Imprensa Real das Crianças Abandonadas, mediante a compra da tipografia que pertencera aos jesuítas, expulsos em 1767 do império espanhol.
Alejandro Lipszyc
Era o primeiro capítulo de uma longa história. Já em 1785 começava a funcionar o armazém La Botica, que vendia roupas, produtos alimentícios e… livros! Com o tempo, transformou-se na Librería del Colegio, o primeiro estabelecimento exclusivamente livreiro da cidade. Depois de ficar fechada por quatro anos e de quase virar uma lanchonete, a mais antiga livraria portenha reabriu em 1994, graças ao livreiro Miguel Ángel Ávila, que a rebatizou Librería de Ávila. Fica a poucas quadras da Plaza de Mayo.
A avenida Corrientes é, tradicionalmente, o epicentro das casas de livros portenhas: as quadras entre as calles Libertad e Ayacucho formam uma espécie de grande livraria. Aí ficam as casas de longa trajetória na Argentina; aquelas que superaram as ditaduras e as crises econômicas e continuam sólidas como uma rocha. As principais são a Hernández, a Prometeo e a Losada, mas também existem muitos sebos e algumas librerías de saldo distribuídas pela Corrientes e adjacências. É só perambular.
Nos últimos anos, o bairro de Palermo viu nascer algumas das livrarias mais atraentes da cidade. A Eterna Cadencia, em Palermo Hollywood, que fica em uma casa dos anos 1920, é uma delas. Em Palermo Soho, a Libros del Pasaje se destaca pelo ambiente cálido e a oferta variada de títulos.
O percurso pelas livrarias de Buenos Aires não pode deixar de incluir as antiquárias. Elas fazem parte de um mundo fascinante formado não só por livros, mas também por mapas e gravuras. Dois estabelecimentos se destacam neste segmento: Alberto Casares e Fernández Blanco.
Alejandro Lipszyc

A livraria Fernández Blanco é uma das principais antiquárias portenhas, com mapas, gravuras e outras rarirades
*Adriana Marcolini é autora do guia 50 Livrarias de Buenos Aires (Ateliê Editorial).
Serviço:
Librería De Avila
Calle Alsina 500
Tel: 4331 8989
Hernández
Avenida Corrientes 1436
Tel: 4372 7845
Prometeo Libros
Avenida Corrientes 1916
Tel: 4953 1165
Librería Losada
Avenida Corrientes 1551
Tel: 4375 5001
Eterna Cadencia
Calle Honduras 5574
Tel: 4774 4100
Libros del Pasaje
Calle Thames 1762
Tel: 4833 6637
Alberto Casares
Calle Suipacha 521
Tel: 4322 6198
Fernández Blanco
Calle Tucumán 712
Tel: 4322 1010

 

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments