Publicado originalmente no Vá ler um livro

Em abril do ano passado começava as gravações do longa “A Descoberta do Mundo”, que contaria a história da escritora Clarice Lispector. A direção, que estava nas mãos da pernambucana Taciana de Fátima Oliveira, tinha como produtora a Zest Artes e a atriz Cássia Kiss representando Lispector.

A ideia teria sido boa se não dependesse de verba. O filme, que é uma mistura de ficção e documentário, foi dividido em duas partes: a primeira, que contava com entrevistas de amigos e conhecidos da escritora em forma de doc, e a segunda, que teria Clarice representada pela atriz global Cássia Kiss e Cinthya Falabella.

Segundo a diretora do longa-metragem, a produtora AnjoLuz, que seria responsável por fornecer verba para a gravação da parte ficcional da obra, desistiu do projeto após a saída da atriz Cássia Kiss do elenco. Taciana conta que mesmo após a desistência da atriz global resolvera continuar com o projeto, que teria apenas a atriz Cinthya Falabella como protagonista, até receber um telefonema do produtor dizendo que todas as passagens do elenco haviam sido canceladas e parte deles já haviam sido informados que deveriam voltar à suas respectivas casas. “Íamos dar uma pausa, para que Cinthya se preparasse. Num roteiro de 66 sequências, Cássia Kiss só tinha 16. O filme poderia ser feito tranquilamente. Qualquer ator pode sofrer uma queda e ser substituído”, disse Taciana que agora exige que a produtora arque com as despesas da finalização da obra, “Isso não só por mim, mas por todos os profissionais envolvidos. Teve gente que não aceitou outros trabalhos para fazer o filme”.

Em contrapartida, Zitah Oliveira, responsável pela Anjo Luz, diz que está à vontade para negociar já que seu gasto já chegou a R$ 200 mil, “não concordei em fazer sem a atriz [Cássia Kiss]. Ficou muita gente sem receber, mas, no decorrer do tempo, eu paguei. Sugeriram usar a atriz que faria a Cássia Kiss nova (Cinthya Falabella) para substituir Cássia Kiss. Ela seria envelhecida por meio de maquiagem, em uns 20, 30 anos, e eu acho que isso não ia dar certo. Não tinha nem maquiador pra isso. Depois, fiquei tentando captar recursos para finalizar o filme, até o fim do ano passado, junto ao Ministério da Cultura e Siconv (Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Governo Federal). Mas, hoje (anteontem) recebi um e-mail dizendo que a proposta havia sido cancelada”.

Até a data de hoje as filmagens ainda não foram finalizadas e há ameaças de pararem na justiça.

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