Publicado originalmente na Folha.com

Diretora editorial, Luciana Villas-Boas pode deixar cargo

Conforme a Folha antecipou em sua edição de hoje, a diretora editorial do Grupo Record, Luciana Villas-Boas, vai deixar o cargo.

O Grupo Editorial Record, o maior do país no setor de obras gerais (exclui didáticos, técnicos e religiosos), vai soltar ainda hoje uma nota para comunicar a saída.

Num e-mail a amigos e colaboradores, Luciana informou que sai para abrir uma agência literária, a Villas-Boas & Moss Agência e Consultoria Literária.

Ela afirma na mensagem que continuará na editora até 31 de março e que sai por por “motivação estritamente pessoal”.

Há 16 anos no cargo, Villas-Boas tem sido no período uma figura poderosa no universo do livro no Brasil –enquete com especialistas realizada pela Folha em 2006 a apontou como a segunda pessoa mais influente do mercado editorial, atrás somente do editor e dono da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz.

Além do desgaste natural pelo tempo na função, um desentendimento com o comando da empresa no ano passado enfraqueceu Villas-Boas.

Segundo a Folha apurou, a perda para a Companhia das Letras dos direitos de publicação da obra de Carlos Drummond de Andrade gerou uma crise no grupo, causando o afastamento temporário da diretora –o fato não foi divulgado à época, e ela depois reassumiu o cargo.

Assim como Jorge Amado, autor que a Record já perdera para a Companhia em 2007, Drummond tem potencial de vendas tanto para o setor educacional quanto para o comércio tradicional.

Questionada sobre o episódio, a vice-presidente do Grupo Record, Sônia Machado Jardim, disse: “Ela se sentiu culpada no momento em que perdemos o Drummond, como se pudesse ter feito alguma coisa para evitar. Ela ficou muito aborrecida, e nós também, mas não houve nada concreto”.

Outros fatores contribuem para a instabilidade da diretora. Um deles é a discrepância entre os poucos títulos do grupo nas listas de best-
sellers e os vários livros de editoras menores e novatas.

No fim de 2012, a editora Record, carro-chefe do grupo, faz 70 anos. O conglomerado reúne casas como José Olympio, Civilização Brasileira, Bertrand e Best Seller.

A Record diz que nem a perda de Drummond nem esses outros fatores causaram a saída –diz que trata-se de uma decisão pessoal da diretora.

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