Publicado originalmente na Folha

Nos anos 90, alguns dos personagens estampados nos quadrinhos do Capitão América, Hulk, X-Men e Star Wars saíram da prancheta de Álvaro Araújo Lourenço do Rio.

Al Rio, como era conhecido internacionalmente, foi um cearense de Fortaleza que integrou o primeiro grupo de brasileiros a desenhar para grandes editoras norte-americanas, como Marvel e DC.

Filho de um funcionário da Polícia Rodoviária Federal e de uma copeira, começou a botar os primeiros traços no papel aos dez anos. Antes de se tornar ilustrador, porém, trabalhou com publicidade e como diretor de animação.

Como lembra a mulher, Maria Zilda, com quem estava casado há 17 anos, Al Rio morou um tempo em Curitiba, onde cantava em bares à noite. Gostava dos cantores cearenses Fagner e Belchior.

Também viveu por cerca de nove anos no Rio, onde cursou um liceu de belas artes e começou a se dedicar às histórias em quadrinhos. Desenhou personagens da Disney e para a “Revista da Xuxa”.

Após passar em alguns testes, conseguiu trabalho em editoras norte-americanas. Era especializado em desenhos de mulheres sensuais.

“Amava o que fazia”, conta a mulher, que o ajudava a escanear os trabalhos para mandá-los às agências. “Eu só não desenhava”, brinca.

Nos momentos de folga, gostava de tocar violão e cantar. Há poucos dias, deu palestra numa feira de quadrinhos realizada em Fortaleza.

Morreu na terça, aos 49, deixando três filhos. Segundo a mulher, a filha Andrielle, 13, que começou a desenhar por incentivo do pai, pretende manter seu legado.

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