Publicado no Estadão

Poeta venceu o 1º Prêmio Moacyr Scliar de Literatura idealizado pelo governo do Rio Grande do Sul

Ferreira Gullar venceu o prêmio pelo livro 'Em Alguma Parte Alguma'

O poeta Ferreira Gullar venceu o 1.º Prêmio Moacyr Scliar de Literatura por seu livro Em Alguma Parte Alguma (José Olympio). Realizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul por meio do Instituto Estadual do Livro e da Associação Lígia Averbuck, o prêmio priorizou nesta edição de estreia a poesia. Em 2012, apenas livros de conto poderão participar. A poesia volta em 2013. Gullar ganhou R$ 150 mil e a editora, R$ 30 mil, pelos direitos autorais da obra. Uma edição especial do livro será distribuída para bibliotecas públicas do Rio Grande do Sul.

“Fiquei bastante feliz não só porque é a primeira vez que ele é dado, mas também pela razão de ter o nome de Moacyr Scliar, que era um amigo muito querido, um companheiro fraterno e um grande escritor. Eu gostaria de homenageá-lo com esse prêmio”, diz o poeta.

Em Alguma Parte Alguma marca a volta de Gullar à poesia – ele não publicava um livro do gênero havia 10 anos -, e esse é o terceiro prêmio concedido à obra. No Jabuti de 2011, ganhou o título de melhor livro de poesia e acabou levando também o Livro do Ano, no valor de R$ 30 mil.

Mais do que um incentivo para continuar, Gullar vê na premiação a confirmação da qualidade de seu trabalho. “Se o outro não o reconhece você não existe. E quando se trata de um reconhecimento dessa natureza, de pessoas que entendem da matéria e que são dedicadas à literatura, então é mais importante.” A comissão julgadora foi formada por Heloisa Buarque de Hollanda, Ricardo Vieira Lima, Antônio Carlos Secchin, Armindo Trevisan e Carlos Felipe Moisés.

Ferreira Gullar escreveu um poema pela última vez em novembro de 2009. “Escrevo poesia muito raramente porque, no meu caso, a poesia é uma coisa que não controlo. Só quando o mundo espanta, quando alguma coisa surpreende, maravilha ou atordoa é que você escreve. Quem me dera que eu pudesse escrever todo dia um poema”, diz. Mas seus dias têm sido normais. “Nada acontece de especial e à medida que você vai vivendo, o mundo surpreende menos. Se bem que a corrupção me surpreende cada dia mais, mas não vou fazer poema com o que não presta.”

Receber o prêmio em Porto Alegre em 29 de março é que vai ser um problema. “De avião eu não vou, e lá é muito longe. Faz uns 10 anos que não ando de avião e além de ele me deixar estressado, o aeroporto também virou um inferno.” O jeito é torcer para sua ideia dar certo: “Quem sabe eles não resolvem entregar o prêmio aqui no Rio. Eles podiam até fazer uma coisa bonita na Academia Brasileira de Letras ou na Biblioteca Nacional. Daria mais projeção ao prêmio e ainda homenagearia Moacyr Scliar”.

Em valores, o estreante Prêmio Moacyr Scliar (R$ 150 mil) só fica atrás do São Paulo de Literatura (R$ 200 mil), e se equipara com o também gaúcho Passo Fundo Zaffari & Bourbon (R$ 150 mil). Mas é o único exclusivo para contos e poesia. Nesta primeira edição, foram inscritos 152 livros. Receberam menção honrosa: Em Trânsito, de Alberto Martins; A Vida Submarina, de Ana Martins Marques; Lar, de Armando Freitas Filho, e Aleijão, de Eduardo Sterzi.

 

Foto: Fabio Motta/AE

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