Adaptações dominam premiação há 10 anos.

Publicado no Diário de Pernambuco

Ter um roteiro original nem sempre é garantia de sucesso no Oscar. Nos últimos 10 anos, foram poucas as produções que levaram para a casa uma estatueta tendo por trás um roteiro original. Levando em conta só as quatro categorias principais, é muito mais fácil um filme ser premiado se for uma adaptação de um livro ou até mesmo uma refilmagem.
Os longas baseados em obras literárias dominam o panorama na última década. Cinco dos vencedores do disputado prêmio de Melhor filme foram baseados em livros que fizeram sucesso nas livrarias antes de chegar às telonas: Uma mente brilhante (2001), O senhor dos anéis: o retorno do rei (2003), Menina de ouro (2004), Onde os fracos não tem vez (2007) e Quem quer ser um milionário (2008).
Chicago, que levou o prêmio em 2002, foi adaptado de um musical que fez sucesso nos anos 1970 e Os infiltrados, que foi o melhor filme em 2006, é o remake de um filme chinês, chamado Infernal Affairs e que tem a mesma premissa do longa de Scorsese. Ou seja, nos últimos 10 anos, só mesmo Crash (2005), Guerra ao terror (2009) e O discurso do rei (2010) foram premiados como melhor filme tendo roteiro original.
Como normalmente o prêmio de melhor diretor acompanha o melhor filme, as mudanças na lista são poucas, mas engrossam ainda mais o número de prêmios para adaptações. Em 2002, a troca foi de uma adaptação por outra quando Chicago, que levou o troféu como melhor filme, perdeu o prêmio de melhor diretor para Roman Polanski, por O pianista. O longa é adaptado da biografia de um judeu que tenta sobreviver na Polônia ocupada pelos nazistas. Em 2004, ano que Crash (que tinha roteiro original) faturou o troféu de melhor filme, que levou como melhor diretor foi Ang Lee, por O segredo de Brokeback Mountain, que também é uma adaptação literária.
Já a lista de melhor ator e atriz costuma ser mais desprendida da lista de melhor filme. Apesar disso, a situação para os filmes originais melhoraram só um pouco. Dos 20 prêmios distribuidos nos últimos 10 anos, metade acabou indo parar nas mãos de atores que se dedicaram à adaptações, como Nicole Kidman, que levou a estatueta por As horas em 2002, Forest Whitaker, que venceu em 2006 por O último rei da Escócia e Kate Winslet, que conquistou em 2008 o Oscar por O leitor.


Na lista de exceções, os destaques são Jamie Foxx que levou em 2004 por Ray, Reese Witherspoon, por Johnny e June, de 2005, Helen Mirren, impecável em A rainha, de 2006 e Sean Penn, por Milk – A voz da igualdade, em 2008. E, claro, os dois premiados do ano passado, Colin Firth, de O discurso do rei e Natalie Portman, de O cisne negro.

 

Portanto, se esse ano histórias que já estiveram em livros, como A invenção de Hugo Cabret ou Os homens que não amavam as mulheres forem premiados, não estranhe. É a tendência.

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