Publicado na Tribuna da Bahia

Cesare Battisti / Eraldo Peres/AP

Livre há quase oito meses, o italiano Cesare Battisti, que vive no Rio de Janeiro, prepara-se para começar a trabalhar em uma livraria e lançar, em abril, seu 18° livro “Ao Pé do Muro”.

O roteiro faz parte da tentativa do italiano, que recebeu asilo político no Brasil e causou estremecimento na relação diplomática do país com a Itália, de refazer a vida e afastar a ideia de que ainda vive como um clandestino.
Battisti visitou nesta terça-feira a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e o gabinete do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Manteve-se quase o tempo inteiro calado. Trocou poucas frases com jornalistas e só foi enfático ao negar que tenha conhecimento de uma ação do Ministério Público pedindo a revisão de seu asilo. “Não conheço.”
Ele afirmou ainda que a passagem pelo Congresso era para “agradecer” o apoio dos deputados pela liberdade e justiça. Foi recebido por técnicos da comissão e entregou um livro.
Sua mais recente obra, “Ao Pé do Muro”, segundo interlocutores, é de ficção e fala em prisão, liberdade, justiça. Ele buscou inspiração nos cerca de três anos de vida clandestina no Brasil e foi concedido ao longo dos quatro anos na prisão. O livro deve ser lançado entre 10 e 12 de abril em Brasília.
Segundo o ex-senador José Nery (PA), que o acompanhou na visita, Battisti quer distância de polêmicas. “Foi uma decisão soberana que concedeu o refúgio político e ele espera ter tranquilidade para tocar a vida”.
O futuro local de trabalho de Battisti ainda é mantido em reservado, mas a livraria é no Rio de Janeiro.
Livre da prisão, o italiano também pretende desfilar no Cordão da Bola Preta, tradicional bloco de carnaval de rua da cidade.
Ex-integrante do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos ocorridos nos anos 1970 na Itália, Battisti não tem problemas com a lei brasileira –já tirou até RG e CPF.

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