Pedro Bial

Não sou lá muito chegado a texto de blog, porém Clarissa Corrêa sacudiu minhas idiossincrasias, demonstração viva da máxima do Barão de Itararé: “toda generalização é precipitada, inclusive esta”.

Não compro a ideia, tão disseminada nos dias de hoje, de que basta armar alguém com bisturi para fazer um médico. Não, não, chega de auto-indulgência em praça pública, escrever não é biscoito. E, sim, talvez como boa consequência da quantidade de conversa jogada fora no mundo virtual, aqui e ali brilha a qualidade.

Clarissa brilha. Sua palavra, migrada do mundo virtual para o sagrado papel, nos apresenta a uma profetisa de verdade, entre tantos adivinhões da hora, no deserto luxuriante chamado internet.

Ainda por cima, Clarissa é quase temerária: fala de amor, esse anacronismo. Fala de amor com clareza e despudor, baixando as calcinhas dos homens e mostrando a cueca das mulheres. Afinal, amor não tem sexo, por mais paradoxal que isso nos pareça.

Mais! Excêntrica, diz amar sua cruz, diz amar escrever. Honestidade sem conta-gotas.

trecho do prefácio de “Para todos os amores errados”, novo livro de Clarissa Corrêa pela Gutenberg. O lançamento deve acontecer no final de março.

  • Coluna na revista TPM

foto: Gabriela M.O.

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