Em 2007, e pela primeira vez, uma novela ganhou a Medalha Caldecott, a distinção mais importante da literatura infanto-juvenil norte-americana. A honra coube a «A Invenção de Hugo Cabret», do escritor e ilustrador Brian Selznick, agora reeditado pela ASA devido a sua adaptação ao cinema por Martin Scorsese.

Pedro Justino Alves no Diário Digital

O livro escrito por Selznick, recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, apresenta cerca de 280 imagens em cerca de 500 páginas, numa história em que o texto e a ilustração são siameses e, portanto, inseparáveis.

 

Na verdade é complicado caracterizar «A Invenção de Hugo Cabret», já que não estamos perante um romance, mas também não temos uma história em quadrinhos. Estamos perante um livro híbrido, muito próximo de um storyboard.

 

A história de um jovem órfão na estação de comboio de Paris nos anos 30 é contada portanto de forma textual, mas também, e principalmente, visual. Selznick apresenta ao leitor uma história comovente, realista e extremamente humana, ao mesmo tempo que homenageia o início do cinema, com fatos históricos reais.

 

Por ter como destino um orfanato caso seja descoberto, Hugo Cabret faz de tudo para não ser apanhado, inclusive o trabalho do seu tio, seu tutor, responsável pelos relógios da estação que um dia desaparece. Ao mesmo tempo, o jovem procura desvendar um segredo deixado pelo pai, através de um autónomo. Como era de esperar, Selznick consegue conciliar na perfeição a solidão e o afeto do protagonista, duas características sempre presentes em livros e contos infanto-juvenis.

Esta comovente história é contada também visualmente, com Selznick a mostrar o seu talento na arte da ilustração. Como se um filme se tratasse, o norte-americano apresenta desenhos que simulam zooms e planos-sequências, por exemplo, o que provoca de imediato a imaginação cinematográfica dos leitores.

 

Um livro obrigatório que deve ser lido com fulgor e visto com deleite!

 

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