Publicado originalmente no Livros & Afins

… difícil é ter o que escrever.

Regras gramaticais são algo que se internaliza. Com uma boa escolarização, leitura e prática, escrever da maneira correta acaba ficando automático. Questões menores como se a maneira certa é excessão ou exceção  são facilmente resolvidas com um corretor ortográfico ou um dicionário on line. Publicar está cada dia mais fácil por causa da internet; para ter um blog, basta se cadastrar ou comprar um domínio. Caso a pessoa prefira livros impressos, nem é preciso colocar a mão no bolso pra ter o seu livro numa editora virtual.

Os instrumentos estão todos aí, disponíveis. O difícil é fazer uso deles. Quem pretende escrever um livro logo percebe que é difícil preencher páginas e páginas no meio das suas uma ou duas idéias geniais. Quem tem um blog, se vê diante de algo que envelhece depressa, e um post bom precisa ser sucedido por outro post bom, e por outro, e outro… Por isso que em tantos lugares se fala degerar conteúdo. Por mais que existam truques de SEO, temas polêmicos que geram audiência, divulgação em redes sociais e amigos a quem podemos apelar, o maior problema de quem escreve é criar algo seu.

Mais importante do que ter um lugar para publicar é ter o que publicar. É nesse momento que entram os 90% de transpiração, a pesquisa, a atualização constante. Depois de esgotados os momentos inspirados, as conclusões que você levou a vida inteira para chegar e o material inédito, o trabalho difícil começa. É nesse momento que cada um mostra a que veio. Quem veio para ficar, procura se enriquecer com mais informações, busca outras coisas para transmitir, critica seu próprio trabalho na esperança de se renovar, fica atento às coisas novas que a realidade pode lhe trazer. Quem não faz isso, por preguiça ou comodidade, perde cada vez mais em qualidade, até que não haja mais o que dizer. Ou até que não haja mais interesse no que ele tem a dizer.

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