Publicado originalmente por Papo de Universitário

No dia do bibliotecário, conheça a história de Rodney Eloy, o frequentador assíduo das bibliotecas que transformou a paixão pelos livros em profissão

Em dezembro de 1994 resolvi dar uma guinada em minha vida. Como na época era um frequentador assíduo do Centro Cultural São Paulo – CCSP, que para mim sempre foi um templo do saber no qual me fascinava frequentemente, decidi me aprofundar mais em relação ao assunto por meio dos livros e das pessoas que por lá trabalhavam. As informações que eu obtive, aumentaram a cada instante minha expectativa aos momentos que antecederam o curso escolhido e de como seria aquela nova experiência em minha vida. Depois daquele dia não tive mais dúvidas de qual profissão seguiria e foi assim que a Biblioteconomia entrou na minha vida, fazendo parte dela até hoje.

Optei por estudar nas Faculdades Integradas Teresa Martin – FATEMA (adquirida posteriormente pela Uniesp) que oferece o curso desde 1981, e ficava no bairro onde residia. Para acrescentar de forma bastante positiva, fui o segundo colocado no vestibular, o que me motivou ainda mais. Tive o privilégio de estagiar desde o primeiro semestre do curso, o que me proporcionou uma boa experiência. O interessante é que as vagas sobravam e os jornais volta e meia realizavam matérias sobre a profissão em questão, o que se repete nos dias atuais para a alegria dos estudantes da área.

Até o sétimo semestre do curso, eu havia passado por quatro estágios, por um período fiquei em dois simultaneamente, atuando em centro de documentação, biblioteca escolar, biblioteca técnica empresarial e jurídica. Portanto, entre 1995-1998 foram anos decisivos, e porque não dizer, anos que marcaram toda minha vida de uma forma enriquecedora. Até os dias de hoje, virtualmente ou pessoalmente, mantenho contato com professores e alunos daqueles anos inesquecíveis e com isso o aprendizado continua.

Depois de formado, sempre estive em constante atualização, além de tentar acompanhar as inovações que surgem no mercado, preocupo-me em agregar conhecimento, seja através de cursos, palestras, livros, artigos ou por meio das inúmeras ferramentas que a tecnologia cada vez mais rápida e avançada nos fornece, dentro de uma área de trabalho também cada vez mais diversificada.

Contudo, na época da Facul, estávamos de certa forma, dando os primeiros passos na Internet, porém já neste momento era um entusiasta da tecnologia. Posteriormente, quando iniciei na área universitária,comecei a trabalhar com pesquisas bibliográficas, inclusive utilizando diferentes bases de dados, suportes que complementam ricamente a gestão informacional. Pensando nisso, criei em julho de 2005 o Pesquisa Mundi, espaço para discussão/divulgação de bases de dados/informações, bibliotecas digitais/virtuais, arquivos de acesso aberto etc., foi lá que recentemente escrevi o artigo “O Bibliotecário e a leitura conectada” dedicado a todos aqueles que têm o mundo ao clique de um mouse.

Embora tenhamos já há alguns anos as diversas opiniões e discussões sobre a demanda informacional e consequentemente o destino de bibliotecas e bibliotecários, minhas expectativas são as melhores possíveis, claro que teremos grandes mudanças nos formatos e suportes, mas vejo como uma complementação e facilitação aos meios de busca e recuperação da informação. Os profissionais, como em qualquer outra área médica, jurídica e tantas outras, necessitam se reformularem, se especializarem agregando as ferramentas e competências necessárias que surgem a todo o momento nos surpreendendo com novas descobertas cada vez mais frequentes. Só nos resta acompanhá-las.

Independente do formato da sua atuação na biblioteconomia, deixo aqui uma frase de Pablo Picasso que sempre me inspirou: “Em arte, procurar não significa nada. O que importa é encontrar”.

@rodneyeloy é bibliotecário universitário.

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