Felipe Basso, no Baguete

Eu entendo a paixão das mulheres pelos sapatos, quando vejo meu sentimento pelos livros.
Você sabe que não pode ter apenas meia dúzia deles. E de repente você chega a 50, 100, 150 e percebe que ainda falta muita coisa. Você continua comprando, alcança 300, 400, 500 e, um belo dia, você desiste e assume de fato que deseja uma biblioteca e que precisa alugar uma sala para guardar os seus livros.

Porque livros também são questão de ocasião, de momento, como os sapatos. Há livros para ler se balançando na rede, depois do almoço. Há livros que você quer ler quando estiver no metrô. Há livros para ler com calma, na sala, no domingo à noite.

Assim como uma mulher para em frente ao seu closet todas as manhãs, eu paro em frente à estante e penso o que vou usar hoje.

Eu uso livros para me vestir.

Alguns andam dizendo que o livro vai acabar. Bobagem, o medo maior é que os leitores acabem antes disso.

Livros não morrem enquanto existir leitores. Por que leitores amam ler, independente do formato.

Aliás, assim como os leitores gostam de ser surpreendidos pelo final da história também se entusiasmam com uma nova “embalagem” para o seu livro. Eu, que já cheguei na idade de adquirir manias para não mais me livrar delas, certamente não vou ler A Montanha Mágica num e-book. Mas Thomas Mann não se importaria se lerem suas 900 páginas na tela de um computador ou num tablet.

Burocratas precisam de papel. Nós, leitores, precisamos de conteúdo.

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