Publicado originalmente por The Wall Street Journal

Se aquela mulher sentada ao seu lado no metrô parece estranhamente compenetrada no seu livro eletrônico, pode haver uma boa razão.

Berkley/Penguin Group

Os aparelhos de leitura eletrônica, e a privacidade que proporcionam, estão alimentando um boom nas vendas de romances sensuais, ou literatura “romântica”, como esse gênero é chamado no meio editorial dos Estados Unidos.

Tal como acontece nos romances de amor, eles apresentam uma história de amor à moda antiga e referências à cultura pop, tais como as encontradas na chamada “literatura para mulheres”. Além disso, esses livros têm sexo — muito sexo. No entanto, ao contrário da literatura erótica tradicional, o gênero “romântica” sempre inclui um final do tipo “e foram felizes para sempre”.

Aparelhos de leitura como Kindle, Nook e iPad “são a versão extrema da embalagem anônima em papel pardo”, diz Brenda Knight, editora associada da Cleis Press, de Berkeley, Califórnia, que edita literatura erótica desde 1980.

Grandes editoras estão lançando títulos eróticos apenas em formato digital para criar mais demanda. No final do mês, a HarperCollins do Reino Unido vai lançar o selo Mischief Books (algo como “Livros Maliciosos”), com o slogan “prazeres privados com um aparelho manual”.

Tori Benson, de 41 anos, que é esposa e mãe e mora em Eustis, na Flórida, lê de 10 a 15 livros por semana, dos quais cerca de metade são eróticos. Ela começou a ler romances de amor quando menina e passou para a literatura erótica há alguns anos, quando comprou seu primeiro Kindle. Ela agora tem dois, um dos quais sua filha de 10 anos chama de “o aparelhinho sem-vergonha da mamãe”.

Benson diz que o formato digital a ajudou a superar seu constrangimento. Ela resenha romances de amor para a Smexybooks.com e eróticos para o site Heroes and Heartbreakers (algo como “Heróis e Arrasa-Corações”). Mesmo assim, ela diz que não leria esses livros, se fossem em formato impresso, na frente de ninguém. “Algumas capas são explícitas demais”, diz ela.

Os livros eróticos no site da Mischief Books são marcados com ícones. Um par de algemas denota “pervertido”; uma palmeira ereta significa “disciplina”. A editora HarperCollins diz que planeja publicar pelo menos 60 títulos eletrônicos por ano. “Antigamente, era muito difícil caminhar até o balcão da livraria carregando livros eróticos, mas agora isso é coisa do passado”, diz Adam Nevill, diretor editorial da Mischief Books. (A HarperCollins, assim como o The Wall Street Journal, pertence à News Corp.)

O gênero já tem seu primeiro best-seller, “Fifty Shades of Grey” (“Cinquenta Tons de Cinza”), da britânica E.L. James, que é mãe e ex-produtora de TV. É um romance sobre um tórrido caso de amor entre uma universitária e um executivo bilionário, cheio de referências contemporâneas a computadores Apple, personal trainers e músicas de bandas como Snow Patrol e Kings of Leon.

“Fifty Shades” foi lançado em maio através da australiana Writer’s Coffee Shop, editora independente só para o formato digital, e no segundo semestre se tornou uma sensação nos Estados Unidos por meio do boca a boca, quando jovens mães da classe alta começaram a devorar a picante história e a recomendá-la às amigas. Na semana passada, a Vintage Books assinou um contrato de sete dígitos com a editora australiana pelos direitos desse livro e dos próximos dois da série, “Fifty Shades Darker” e “Fifty Shades Freed”. A Vintage planeja imprimir um total de 750.000 exemplares em brochura desses títulos.

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