Em Nothing to Lose, Everything to Gain, o americano Ryan Blair conta como deixou de fazer parte de uma gangue em Los Angeles e se tornou um empreendedor milionário

Luciana Barreto na revista Exame

Divulgação

Ryan Blair, autor do livro "Em Nothing to Lose, Everything to Gain"

                                       Blair: roubo de equipamentos de som, tatuagens e um fuzil AK-47

Na dedicatória do livro Nothing to Lose, Everything to Gain (“Nada a perder, tudo a ganhar”), o empreendedor americano Ryan Blair, de 34 anos, escreve uma mensagem à  mãe: “Vou sempre trabalhar duro para que você tenha orgulho de mim”. Nem sempre foi assim.

Antes de se tornar sócio de seis empresas – a última delas, a ViSalus, vendida por 120 milhões de dólares em 2008 -, Blair era um adolescente-problema. Participou de gangues e foi detido dez vezes. Em seu livro, que entrou para as principais listas dos mais vendidos nos Estados Unidos, Blair conta como abandonou a criminalidade de Los Angeles e tornou-se um empreendedor bem-sucedido.

Até pouco antes dos 13 anos, Blair era um jovem de classe média, com direito a casa com piscina, bicicleta e videogame. Mas seu pai viciou-se em drogas — segundo Blair, para lidar com o fato de manter um padrão de vida além dos ganhos. Foi demitido e tornou-se violento.

A mãe de Blair largou o marido, foi trabalhar como atendente de delicatessen e mudou-se com o filho para um endereço mais barato — e perigoso. Logo no primeiro dia, ainda durante a mudança, a nova casa foi arrombada e os pertences, furtados. O próprio policial que foi lá os dissuadiu de prestar queixa. “Não se meta com esse pessoal”, disse.

Assediado por jovens do bairro, Blair acabou ingressando numa  das gangues da vizinhança. Praticou furtos de equipamentos de som de carros, fez várias tatuagens e chegou a ter um fuzil AK-47. Aos 17 anos, com uma extensa ficha na polícia, a sorte de Blair mudou de forma radical.

Sua mãe começou a namorar um empresário do setor imobiliário, que era cliente da delicatessen onde ela trabalhava. O namorado ficou chocado com as condições em que eles viviam e chamou-a para morar na casa dele. Blair foi junto. Distante do antigo bairro, acabou se endireitando.

O primeiro trabalho de Blair foi na empresa do padrasto. Depois, seguiu trajetória própria. Arranjou emprego numa empresa de computadores. Blair adorava máquinas — começou consertando computadores na detenção e sabia programar. Aos 20 anos, fundou a 24/7 Tech, uma companhia de suporte de informática 24 horas.

Depois, vendeu sua participação na empresa por 20.000 dólares para comprar, em 2001, o Skypipeline, pequeno provedor para internet sem fio. Blair conta como enfrentou a bolha que estourou meses depois e até conseguiu aportes de capital durante a crise.

Ao longo de sua trajetória como empreendedor, captou cerca de 30 milhões de dólares para as empresas em que foi sócio. No livro, ele dá informações sobre como lidar com investidores e enfrentar os desafios de um contrato com fundos de venture capital.

Um dos momentos mais interessantes da narrativa é quando Blair assume seus erros e aponta os principais arrependimentos. Ter gasto uma fortuna só para se vingar de uma empresa concorrente, tirando-lhe os melhores profissionais, é um deles. Outro é ter passado uma noitada com uma funcionária, fato a que atribui a perda da presidência numa das empresas que fundou.

Também fala de projeções exageradas feitas a investidores — que lhe foram cobradas depois. “O Excel permite criar um negócio muito bem-sucedido sem nenhuma conexão com a realidade”, escreveu.

Mesmo sem participação no capital, Blair ainda é o principal executivo da ViSalus, um negócio de marketing multinível — aquele modelo de negócio que prevê remunerações em cascata, como é na Amway e na Herbalife. Recentemente, Blair enfrentou momentos difíceis. Depois de 15 anos sem ver o pai, acabou reencontrando-o — mas perdeu o padrasto que o tirou do caminho do crime, morto de câncer na garganta.

Pouco antes de Blair terminar o livro, sua mãe entrou em coma, por causa de uma queda numa escada. “Não sei se minha mãe voltará”, escreveu. “Mas vou passar o resto da vida fazendo com que ela possa se orgulhar do filho.”

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