Vivian Whiteman, no Blog da Vivian Whiteman

Talvez você não saiba, mas Clarice Lispector também foi jornalista. Ela trabalhou como colunista de moda, beleza e comportamento sob os pseudônimos  de Tereza Quadros (no jornal “Comício”) e Helen Palmer (“Correio da Manhã”) e como ghost writer da atriz e modelo Ilka Soares (“Diário da Noite”).

As crônicas e conselhos jornalísticos de Clarice podem hoje parecer ultrapassados e até machistas. Foram publicados entre os anos 50 e 60. Porém, com um olhar mais atento, os leitores vão descobrir mensagens e entrelinhas que mudam o sentido das receitas mais banais. Era Clarice, inscrevendo seu estilo e sua visão de mundo entre as grades de colunas femininas direcionadas a donas-de-casa e com a missão de serem mesmo meio caretas.

Clarice, depois de uma vida aparentemente perfeita de mulher de diplomata, se divorciou e teve de se virar para cuidar dos filhos e da casa sem contar apenas com a ajuda do marido. Era uma das poucas mulheres a trabalhar dentro de redações na época.

Uma seleção dessas colunas foi publicada nos últimos anos nos livros “Correio Feminino” e “Só Para Mulheres”, da editora Rocco. Recomendo para todos os fãs de Clarice e principalmente para moças e moços interessados em escrever sobre moda. Inspiração de estilo.

Aqui, reuni 15 das minhas passagens preferidas, que falam sobre moda e truques de beleza…ou não.

1  – “Tecnicamente, o preto é a inexistência” (sobre a volta do preto ao topo da moda)

2 – “Que lindas são as coisas antigas que se tornaram opacas e amarelecidas porque sobre elas passou a vida”

3 –  “Quando fazemos tudo para que nos amem…e não conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer mais nada” (na seção Aprendendo a Viver)

4 – “Mas o mesmo modelo, copiado para a vida diária, poderá perder a magia e tornar-se um trapo” (sobre copiar vestidos de filmes de cinema)

5 – “No inverno, a mulher é mais feminina”

6 – “Unhas com esmalte descascado, dando a penosa impressão de cicatrizes ainda não curadas” (sobre coisas que afastam os boy-magia)

7 – “E peruca? Pois usavam perucas negras para conseguir “o estilo sensual do Nilo” (sobre os truques de beleza das egípcias)

8 – “Não existe beleza em olhos adoentados”

9 – “O sinal de beleza era colado com amor perto dos lábios_ e então se chamava coquette” (sobre as modas pré-Revolução Francesa)

10 – “O sofrimento da jovem africana na ceva tem seu contraponto no da modelo, de quem se costuma exigir que seja “cabide humano” (sobre padrões de beleza, pra vocês saberem que vem de longe essa história…)

11 – “Algumas mulheres, felizmente poucas, relegam a faceirice a um plano secundário explicando esse desinteresse como “superioridade intelectual”. Nada mais falso” (sobre a faceirice feminina)

12 – “De um modo geral é melhor ter um perfume mais para seco do que para doce. A menos que seu tipo exija, pela sua doçura de índole e intenções, uma essência realmente doce” (sobre perfumes)

13 – “Apóie as palmas das mãos contra os olhos fechados. Imagine um monte de carvão. Então, imagine que um gato preto está subindo pelo monte de carvão” (exercício para atenuar rugas nas pálpebras)

14 – “Há mulheres de quem poderíamos dizer: não têm rosto. Na verdade, de tal modo a fisionomia está “submersa”, com traços indecisos e cores desbotadas, que lembra um quadro apenas esboçado e nunca terminado” (antes de uma dica sobre como usar maquiagem para reacender um rosto apagado)

15 – “Cerque sua presença de um halo de perfume e você estará se cercando de seu próprio mistério_você não estará mentindo, estará dizendo a verdade de um modo bonito”

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