O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes (2006) / Ricardo Moraes/Folhapress

Publicado por UOL

Morreu na noite desta terça-feira (27), aos 87 anos, o escritor Millôr Fernandes. Desenhista, dramaturgo, poeta e jornalista, ele faleceu em sua casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de falência de múltiplos órgãos. O velório será realizado até as 15h desta quinta-feira (29), no Rio, mas ainda não há detalhes sobre cerimônia de sepultamento ou cremação. As informações são do cemitério Memorial do Carmo.

Nascido no bairro do Méier, no Rio, em 16 de agosto de 1923, Millôr foi registrado oficialmente em 27 de maio de 1924. Com um ano, ficou órfão de pai e, aos 10 anos, de mãe. Ao longo da vida, se firmou como um dos mais importantes e atuantes intelectuais brasileiros. Adaptou e escreveu obras para teatro e para televisão, além de ter imortalizado diversos frases e aforismos.

Veja obras e trajetória de Millôr Fernandes

Em 1943, após ter passado pelo jornal “Diário da Noite” e pela revista “A Cigarra” – onde criou o pseudônimo Vão Gogo, com o qual assinou suas colunas até 1962 -, Millôr retornou à revista “O Cruzeiro”, onde criou, ao lado de Péricles, cartunista de “O Amigo da Onça”, a seção “O Pif-Paf”.

Autodidata, em 1942 realizou a sua primeira tradução – função que anos mais tarde lhe renderia o título de maior tradutor de Shakespeare no Brasil -, para “Dragon Seed”, romance da americana Pearl S. Buck, com o título “A Estirpe do Dragão”.

Já em 1946 fez sua estreia literária com o livro “Eva Sem Costela”. Sete anos depois, foi montada sua primeira peça de teatro, “Uma Mulher em Três Atos”.

Em 1964, aos 41 anos, editou a revista humorística “O Pif-Paf”, considerada uma das pioneiras da imprensa alternativa. Quatro anos depois, participou da fundação do jornal satírico “O Pasquim”, uma das vozes mais ativas contra a censura e o governo militar durante a ditadura nos anos 70. A publicação teve colaboração de Ruy Castro, Paulo Francis, Ivan Lessa, dos cartunistas Jaguar e Ziraldo, entre outros nomes importantes do jornalismo brasileiro.

Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.

Millôr Fernandes

 

Autor de mais de 40 títulos literários, o cartunista atuou como colaborador de diversos jornais e publicações ao longo dos últimos 60 anos, entre eles “Folha de S. Paulo”, “Correio Braziliense”, “Jornal do Brasil”, “Isto É”, “O Estado de S. Paulo”, “O Dia” e “Veja”.

Além de Shakespeare, Millôr traduziu obras de Anton Tchekov, Bernard Shaw, Dario Fo, Luigi Pirandello, Molière, Mario Vargas Llosa, Samuel Beckett, R. W. Fassbinder e Tennessee Williams.

Como desenhista, com passagem pelo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro entre 1938 e 1943, expôs seus trabalhos no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro em duas ocasiões. Em 1981, seus trabalhos gráficos foram reunidos em “Desenhos” (ed. Raízes Artes Gráficas).

Como poeta, publicou “Papaverum Millôr” (ed. Prelo, 1967), “Hai-kais” (ed. Senzala, 1968) e “Poemas” (ed. L&PM, 1984).

Além de dramaturgo, atuou também como roteirista de cinema, séries e programas de TV, adaptando para a Rede Globo na década de 1990 a obra “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida. No filme “Terra Estrangeira” (1995), de Walter Salles, colaborou com diálogos adicionais.

Em 2000, tornou-se um dos pioneiros a publicar na web ao lançar o “Millôr On Line” no UOL.

Entre seus últimos títulos, Millôr lançou em 2007 pela editora Desiderata “Novas Fábulas e Contos Fabulosos”, reunião de contos e fábulas ilustrados pelo cartunista Angeli. Em 2010, a atriz Fernanda Torres adaptou na série “Amoral da História” duas obras anteriores para o canal de televisão GNT — “Fábulas Fabulosas” e “A Bíblia do Caos”.

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