Publicado originalmente por Educar para Crescer

Para o ator, cineasta e escritor, os livros sempre vão ter grande importância, mesmo com o avanço da tecnologia

Foto: Cintia Sanchez

“Já cheguei a me questionar se os livros, hoje em dia, ainda fazem sentido de existir”, disse André.

Ator, cineasta e escritor. A vida profissional do carioca André Di Mauro pode ser considerada um exemplo de como a família influencia nos gostos e nas escolhas. Ele é filho de dois professores, que sempre o estimularam a ler e estudar. Além de ser sobrinho-neto do cineasta Humberto Mauro, pioneiro do cinema no Brasil. Com o exemplo e apoio vindos de casa, aos 15 anos estreou como ator no seriado Malu Mulher da TV Globo e um ano depois abocanhou o importante Prêmio Mambembe de revelação como autor, pelo texto da peça musical Vira-avesso.

Não parou mais. Participou de diversos trabalhos na televisão, cinema e teatro. Na lista entram produções como as novelas Selva de Pedra e Rainha da Sucata, e o filme sucesso de bilheteria Tropa de Elite. Atualmente o ator está no ar na novela Vidas em Jogo, da Rede Record.

André quis participar do projeto porque acredita que “Educação é a base de tudo”. Confira mais informações sobre sua infância e carreira na entrevista abaixo!

Seu trabalho tem alguma importância para a Educação no país?

André di Mauro: A Cultura e a Arte tem a função também de informar, de trazer conteúdo educativo. Essas áreas podem colaborar com a Educação. As novelas, por exemplo, são um produto popular e, quando tratam de temas polêmicos, ajudam a elucidar certas questões que não são muito claras para a sociedade. Isso é uma forma de prestar um serviço.

Parece também que a ficção torna as informações mais divertidas, prazerosas e interessantes de serem aprendidas. O lúdico torna a informação mais acessível.

Você se envolve na Educação do seu filho?

André di Mauro: Tenho um filho de 15 anos. E faço questão de oferecer a ele uma Educação eclética, que inclua tecnologia, música, esporte. Como um complemento à formação formal.

Também procuro respeitar o que interessa diretamente ao meu filho. Deixo que ele escolha o que quer ou não aprender. Apoio seus interesses, sem tentar impor nada. Mas nunca deixo de oferecer outras opções, porque é importante a criança experimentar coisas novas.

Como foi sua vida escolar?

André di Mauro: Meus pais são professores e por isso sempre foram voltados para a questão da Educação. Minha mãe foi professora de colégio, 1º e 2º graus, e era considerada bem moderna. Ela fazia aulas ao ar livre, com muitas atividades lúdicas. Meu pai era economista, e foi professor de faculdade.

Tive uma educação bem livre, bem bacana. Tive oportunidade de experimentar muito e aprendi a ter iniciativa. Por tudo isso, adorava ir para a escola, aprender coisas diferentes.

Sua família apoiou sua escolha profissional?

André di Mauro: Não tive resistência quando optei por ser artista. Minha família já tinha ligação com o meio. Meu tio-avô foi pioneiro na produção de filmes no Brasil. Minha mãe trabalhava com escultura e minha irmã é cantora, por exemplo. Arte sempre foi algo muito natural em casa.

Já na adolescência você premiado como autor-revelação pela peça Vira-avesso. Poderia falar um pouco mais sobre isso?

André di Mauro: Eu nem esperava receber. Era muito novo, tinha 16 anos. E esse era o maior prêmio de teatro, na época. A peça era bem ligada à Educação. Eu adorava biologia e resolvi escrever um texto com a ideia de explicar para outras crianças e adolescentes como o corpo humano funciona por dentro. Falava de extraterrestres que chegavam à Terra e queriam conhecer o lado de dentro dos seres humanos.

Além de atuar, você escreve roteiros já publicou um livro – “Humberto Mauro: o pai do cinema brasileiro”. Pode falar um pouco mais sobre esses trabalhos com a palavra?

André di Mauro: Desde os 10 anos eu escrevo. Fazia alguns contos, poesias, letras de música. Depois, passei a escrever roteiros de seriados, curtas-metragens. Meu gosto pela escrita e pela leitura vêm do exemplo do meu avô e do meu pai, grandes leitores. Meu avô tinha uma biblioteca enorme, com milhares de livros e desde pequeno eu frequentava o lugar. Sobre começar a escrever, veio como consequência do meu gosto pela leitura.

Os livros vão sair de moda com o avanço da tecnologia?

André di Mauro: Eu já cheguei a me questionar se os livros, hoje em dia, ainda fazem sentido de existir. Pensei se deveria ou não publicar um livro que estou escrevendo, ou se deveria disponibilizar só virtualmente. Mas depois fiquei pensando sobre alguns pontos.

Ao mesmo tempo em que existem essas facilidades digitais, como tablets e internet, tudo que é produzido é muito efêmero, passageiro. O livro é algo materializado. Serve como um registro que dura séculos. Algo que a internet, blogs e redes sociais não permitem. Se o site sair do ar, acabou. Por isso o livro sempre vai ter importância. Ele eterniza as ideias. Uma pessoa compra o livro e pode passar para os filhos, netos…

Por isso pensei: é, vou continuar escrevendo e publicando em livro.

Você estudou no exterior. Como foi essa experiência?

André di Mauro: Viajar em si, mesmo que não seja para estudar, já é suficiente para você adquirir uma cultura absurda. E acho que quanto mais jovem, mais impacto isso causa.

Lembro de uma viagem que fiz para a Itália, com uns 10 anos. Morei por um tempo lá e quando voltei, senti que estava com uma cabeça bem mais avançada que a maioria dos meus amigos, em relação a muitos assuntos. Percebi que era importante ter uma visão de fora.

Outra viagem que me marcou foi para Nova York. Tinha ganhado uma bolsa de estudos do cultuado Actors Studio. Fiquei um ano lá e foi fantástico para minha carreira.

Não é necessário que uma pessoa more em outros lugares. Mas viajar é muito importante, para conhecer outras culturas. É um grande aprendizado.

Continua estudando?

André di Mauro: Hoje em dia, estudo coisas específicas, focadas. Há tempos atrás estava interessado em coisas ligadas ao computador. Fiz webdesign, por exemplo. Outra hora, procurei material sobre economia. Depois, astronomia.

Também estou sempre relendo material voltado para minha profissão. Livros sobre roteiro, métodos de escrita.

Mas tudo de forma autodidata. A internet facilita muito as minhas pesquisas.

Qual a sua opinião sobre a Educação no Brasil?

André di Mauro: De uma forma geral, já melhorou muito. Mas ainda temos problemas muito básicos, que não poderiam mais existir, como o analfabetismo.

Economicamente, o Brasil está bem à frente. Mas ainda existe muita desigualdade educacional no país. O Sul é bem mais adiantando do que o Norte e o Nordeste.

Acho interessantes algumas iniciativas, como a introdução da música no currículo obrigatório. Lembro também de uma proposta para incluir o cinema e as técnicas audiovisuais nas escolas, que seria bem interessante, já que é um assunto que está em todos os lugares. Ainda temos uma longa estrada pela frente.

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